Sióstio de Lapa
Pensamentos e Sentimentos
Meu Diário
20/10/2026 00h01
74 ANOS  

            Hoje completo meus 74 anos de idade. O Eu, Espírito, que habita o meu corpo, usa a memória para lembrar de todos os detalhes possíveis de minha trajetória. Desde criança, bem pequenina, cerca de 6 meses de idade, sentado sobre uma mesa de madeira em minha casa e engasgado com uma espinha de peixe; depois os tempos de minha educação a partir dos 5 anos, com minha avó, trabalhando com ela em seu bordel e nas ruas vendendo confeitos e estudando na escola do Padre Penha, sendo escoteiro sob sua orientação: “Sempre Alerta” era nosso lema. Visitava a casa da minha mãe onde sentia mais liberdade e até certa proteção com o seu atual companheiro, que apesar de alcoólico, tomava a minha defesa com destemor. Lembro dos amigos com os quais sintonizava, das meninas que queria namorar, mas minha inibição impedia; lembro dos sonhos alimentados pelas revistas em quadrinhos, das dúvidas que vinham a minha cabeça e que eu tinha medo de perguntar... meu corpo sempre mantido saudável pelo constante trabalho se desenvolvia sem atropelo.

            Aos 18 anos dei o meu “grito” de liberdade, de autonomia. Resolvi vir sozinho para Natal, servir a Marinha do Brasil, rejeitando a vinda da minha avó que queria me acompanhar, me proteger e me guiar, como ela sempre tentava fazer, ao seu modo, claro. Ao chegar em Natal e ingressar na Escola de Formação de Marinheiros, entrei em novo mundo, cheio de inibições e dificuldade de fazer relacionamentos. Mergulhei nos estudos e fiquei entre os 10 melhores classificados, que poderiam escolher onde queriam servir. Escolhi o Hospital Naval de Natal. Neste espaço institucional continuava os meus estudos e o meu trabalho, como acontecia quando eu morava em Macau com minha avó. Foi neste espaço que me aproximei com mais vigor de igreja evangélica, conheci a minha primeira esposa e consegui entrar no curso de medicina, depois de várias tentativas frustradas em outros concursos. Fazendo esta reflexão agora, vejo com mais clareza a mão de Deus colocando os caminhos que eu poderia seguir de acordo com os meus talentos e intenções.

            Aos 23 anos, em 1975, ingressei no curso médico na UFRN. Deixei a Marinha, abri um comércio e dei aulas em colégios públicos para complementar a renda que havia perdido da Marinha, além do Governo Militar da época me conceder um crédito educativo para ser pago após o curso. Mas o Pai, como reconheço agora, tinha outros projetos para mim, compatível com o que Ele sondava em meu coração. Ser o artífice da família universal, acima da família nuclear e família ampliada, sem descuidar delas. Para isso acontecer, eu teria que sair dos princípios rígidos do casamento, da fidelidade conjugal, do amor exclusivo. Para isso se realizar Ele jogou a força dos instintos do Beemote contra os valores éticos que eu estava absorvendo das lições de Cristo. Realmente, o Pai tinha razão quando apostou em mim. Chegou o ponto crítico onde fiz a transposição mental, do amor exclusivo para o amor inclusivo, mas colocando dentro dessa mudança a principal lei que Jesus ensinou: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. Assim, as mulheres que se aproximavam de mim, conforme a vontade do Pai, poderiam ser incluídas nesta Árvore do Amor Inclusivo, que eu as consideraria como ramos capazes de produzir frutos com a seiva divina correndo através do meu tronco. Essas mulheres não seriam minha propriedade para atender os meus desejos sexuais, mesmo que isso fosse possível se obedecesse a principal Lei, de trazer benefícios e não malefícios para o próximo.  

            Hoje, aos 74 anos, vejo a passagem do mEu Espírito por este corpo dado por Deus para ser o mEu veículo. Tenho responsabilidade com ele como tenho pelo carro que dirijo pelas estradas. Ele nasceu para este mundo em 1952 e a partir daí o mEu Espírito passou a aprender e agir neste mundo para me aproximar do Pai no meu retorno para a pátria espiritual. Agora estou colocado no centro das discussões cristãs, dentro das igrejas católicas, evangélicas e espíritas. Tenho uma companheira que conhece o meu principal projeto de vida e se esforça para participar da minha Árvore do Amor Inclusivo, não como uma imposição, mas por saber que é um projeto de Deus e que está acima de qualquer preconceito que possamos ter com qualquer pessoa. Na UFRN desenvolvo os projetos direcionados para os valores espirituais, tanto na graduação quanto na extensão.     

            O Pai mandou um aviso para mim através de uma amiga que me presenteou um livro, Panorama da Bíblia, que informa o nascimento de Abrão, o pai da fé, ter nascido no ano de 1952 antes de Cristo. E foi aos 75 anos que ele recebeu o comando do Senhor para sair da sua terra em busca de outra, mais adequada aos seus filhos, aqueles que o reconhecem como pai e que querem fazer a Sua vontade, formando grandes nações. Como eu nasci no ano de 1952 depois de Cristo, e faço 75 anos no próximo ano, tempo que deverei sair oficialmente dos cargos que tenho na UFRN, devo esperar do Pai um comando para seguir. Qual será?

Publicado por Sióstio de Lapa
em 20/10/2026 às 00h01