Trecho final do livro “A Ilha da Magia”, que não encontrei o que tinha digitado na época. Portanto, tive que fazer de memória o que aconteceu.
Finalmente o encontro com Mônica/Morgana iria acontecer. Depois de algumas tentativas frustradas neste sentido, Mônica aceitou este encontro na fantasia, mas acontece que eu iria registrar tudo dentro da realidade. Peguei o avião e fui até a sua cidade. Cheguei e observei uma festa na praça da cidade, ainda referente aos festejos de fim de ano. Caia uma chuva fina e o barulho das músicas era frequente. Disse a Mônica que já estava no local que iríamos nos encontrar, que era uma praça e que estava a sua espera. Pedi que ela descrevesse onde se encontrava, qual roupa estava vestindo. Ela estava na mesma praça e o som da música no meu celular me denunciou. Ela respondeu surpresa: “Você está aqui?!...”
Sim, respondi dizendo onde estava, no pórtico de uma igreja, localizado no ponto mais alto da praça, protegido da garoa que continuava caindo. Ela disse como estava vestida e que estava indo ao meu encontro. Fiquei na expectativa de encontrar a Morgana no corpo da Mônica. Meu coração palpitava, acelerava, a expectativa de encontrar a mulher que sabia tanto da minha vida, dos meus pensamentos sem nunca ter me visto, me deixava um pouco confuso.
Surgia uma pessoa se aproximando, com as roupas ditas por Mônica, mas sem o corpo da Morgana... seria mesmo a Mônica, a Morgana? Enquanto a dúvida aumentava em minha cabeça a pessoa diminua a distância de mim. Não existia mais dúvida, era Mônica. Nos cumprimentamos com certa reserva, não se aproximava nem um pouco do calor erótico que existia quando eu estava na presença de Morgana, na Ilha. Ela disse que estava com uns parentes na praça e eu disse que iria pernoitar num hotel para voltar no dia seguinte à noite para minha cidade. Combinamos em nos encontrar de forma mais reservada à tarde, para aproveitar melhor a condição inédita, o relacionamento dos nossos corpos com nossas fantasias. Despedimos de forma educada, sem nenhuma demonstração de afeto, com olhares mútuos curiosos, tanto de um quanto do outro.
Fui para o hotel, e nesta noite não houve comunicação do Comandante com Mônica. O confronto dos corpos, produtores da fantasia, parece que congelou os personagens em outra dimensão. Será este um feitiço de Morgana detonando os corpos que a produziram. Fiquei com minhas reflexões, mas sem receber o feedback de Morgana.
Eu repensava na mente os rápidos dias de nosso relacionamento, da criação dos nossos personagens, querendo saber como eles seriam. Dei os dados do Comandante como se fosse eu, o biotipo, as características físicas... agora Mônica, deu as características de Morgana retiradas dos livros de Avalon. Não perguntei sobre esse detalhe quando começamos nossa fantasia, nós não tínhamos intensão de envolvimento pessoal. Ela não poderia ser acusada de má fé. Passei a noite murmurando sobre o impacto desses dias em minha vida, principalmente no encontro presencial.
O novo dia surgiu, me preparei para nosso encontro a tarde. Fomos pontuais no local combinado. Como ela não podia correr o risco de ser vista em conversa tão próxima com um desconhecido, combinamos ir para um motel, o local mais discreto possível. Ela concordou sem resistência, afinal ela sabia muito sobre mim. Chegamos ao motel sem nenhuma iniciativa afetiva mais intensa, apenas olhares e conversa burocrática, sobre o trabalho, família. Ela lembrou do meu nick-name do nosso primeiro encontro na sala de bate-papo, Rom-rom. Eu entrava na brincadeira e a chamava de Fl me escondendo atrás da porta quando ia ao banheiro. O nosso contato físico sobre a cama, em roupas mínimas, terminou evocando os desejos instintivos e o sexo se realizou, com carinho, mas sem o encantamento que havia entre Morgana e o Comandante. A relação entre Fred e Mônica não tinha o mesmo encanto.
Terminamos o nosso encontro, a deixei de volta no local do nosso encontro e a vi se afastar contra a luz do sol poente. Seus cabelos compridos esvoaçavam ao vento e os reflexos do sol sobre eles parecia trazer a imagem dos cabelos de Morgana.
O Comandante estava perdido, Morgana deixara de existir. Voltei para casa e guardei meus registros. Não voltei a pegá-los, não tive mais contato com Morgana... nem com Mônica. Afinal a paixão que eu terminei desenvolvendo era por Morgana, não por Mônica. Voltei ao convívio com minha esposa que continuava em conflito comigo, exacerbado por causa dessa viagem que fiz, em busca de uma paixão virtual. Mas fui honesto com ela. Sempre eu dizia que podia namorar qualquer pessoa, mas o meu referencial era ela, que eu sempre voltaria para casa. Ela nao acreditava e continuava a me criticar. Dessa vez foi diferente, disse que ia ao encontro de Morgana e que se nossa sintonia fosse confirmada na realidade, eu iria ficar com ela. Mas eu não encontrei Morgana e por isso estava de volta. Talvez isso tenha aprofundado ainda mais o nosso distanciamento afetivo. Terminamos por nos separar definitivamente e passei a conviver com outra pessoa. Perdi o contato com Mônica que era o portal para Morgana.
Agora, 20 anos depois, volto a pegar no material escrito e vejo que a fantasia tinha realidade. Quero encontrar Morgana, mas não sei como fazer. Talvez fazendo um livro com nossa história ela saia do encanto em que construiu, que volte a encontrar o Comandante, além das brumas de Avalon. Cada leitor que tiver conhecimento desta história e conhecer alquem que coincida com este perfil, é uma esperança para o Comandante que está disposto a ir com o seu submarino a qualquer lugar em que possa resgatar a Morgana dos seus sonhos, mesmo que esteja presa num corpo caquético, sem expressão, por ter violado os compromissos das bruxas de Avalon, de não ser possuída por nenhum mortal, em fantasia ou realidade. Afinal, aquela era nossa realidade.
Hoje o Fred tem mais maturidade para entrar em qualquer portal em busca de sua musa encantada. Sei que ela estava ali, no corpo de Mônica, e por imperícia, imaturidade, fiquei impedido pelo corpo físico incompatível com a imagem criada. Mas ela estava lá, c om os pensamentos que gerou os sentimentos, que envolveu o meu coração tal qual flecha de Cupido. Quero voltar e pedir desculpas a ela, por não ter lutado contra meus preconceitos que me prenderam na imobilidade de sua busca. Ela me viu fazer sexo com Mônica sem respeitar a sua presença no mesmo local, como se ela não existisse. O animal que eu sempre evitei que ela visse em mim, terminou acontecendo com a presença de Mônica, sexo animal sem o encantamento do coração. Talvez esta tenha sido a maior punição para Morgana, ver o homem que conquistara seu coração se comportar como um animal dentro da pessoa que a abrigava.
Deixo aqui um verso final, uma senha do meu coração para o coração de Morgana, que pode agora habitar em algum corpo deste delicado planeta azul. Espero que ela tenha compaixão de um amante tão despreparado que foi preciso tanto tempo, 20 anos para tentar reparar seus erros.
BUSCANDO O AMOR
A quem eu possa um dia perguntar
Nesta estada da vida que andando
Sempre fico a todos, assim interrogando
Sem palavras, mas com lágrimas a derramar
Que mais importa os meus sonhos de criança
Só a loucura dos desejos em minha alma
Disfarça dentro, os risos, o meu trauma
E faz com meu destino uma aliança
Por que desejo o amor em tenros braços?
Por que eu quero a Morgana em tantos laços?
Por que procuro a fantasia atras de um véu?
Quando cansado no caminho olho o céu
E peço a Ti, oh! Meu Pai, me seja bom
Que entenda o amor que procuro em Avalon