Após os ensinamentos do Cristo, que esteve entre nós há 2000 anos, seus milagres e a explicação de nossa paternidade divina, que devemos obedecer ao Pai, amando ao próximo como se fosse a nós mesmos, seus 12 apóstolos acrescido do terceiro, Paulo de Tarso, se espalharam pelo mundo, catequizando a todos que encontraram. Chegaram a formar uma sociedade bem próxima do Reino de Deus, na Europa, a Cristandade.
Para que isso acontecesse, os apóstolos se tornaram cheios do Espírito Santo, de covardes se tornaram valentes de fé. E pela fé, convertendo a tantos pelos seus exemplos, esses convertidos também se tornaram cheios de fé e coragem.
Era este o motor que a Divina Providência organizava para que semente do Reino de Deus pudesse germinar e produzir seus frutos: fé e coragem.
Segundo Santo Inácio de Antioquia (Epistola ad Romanos,4,1:SC) “O martírio é o supremo testemunho dado em favor da verdade a fé; designa um testemunho que vai até a morte. O mártir dá testemunho de Cristo, morto e ressuscitado, ao qual está unido pela caridade. Dá testemunho da verdade da fé e da doutrina cristã. Suporta a morte com um ato de fortaleza. ‘Deixai-me ser pasto das feras, pelas quais poderei chegar à posse de Deus.”
Porém nem todos são chamados ao martírio de sangue, mas todos somos chamados a vivermos cotidianamente o “martírio branco” que é o “martírio sem derramamento de sangue, em meio às perseguições” como disse São João Paulo II no livro “Estou nas mãos de Deus”.
Todos os dias somos convidados a dar testemunho de nossa fé nas realidades mais cotidianas de nossas vidas. Em nossas casas com nossas famílias, no trabalho com as pessoas que passam parte do dia conosco, no trânsito com carro ou transporte público, nas paróquias que frequentamos, nas associações que somos membros.
É importante que hoje em nossos dias, surja esse reavivamento dos primeiros apóstolos, até mesmo com o martírio com derramamento de sangue, pois a violência e as perseguições contra nós, cristãos, não conseguem destruir a nossa fé. Pelo contrário, quanto mais somos executados, maior se torna o número de convertidos, inspirados por nossa coragem e pela firmeza diante da morte.
Nós nos multiplicamos todas as vezes que somos ceifados por vós, tiranos de ocasião, pois o nosso sangue cristão é semente para a vida eterna. Este continua sendo o motor da eterna e divina Providência sobre nós.