No dia 01-06-14 coloquei neste diário uma visão pessimista de minha atuação como Gladiador de Deus na arena do Centro Espírita Cruzada dos Militares. Após ter sido lido uma passagem do Evangelho segundo o espiritismo onde fala sobre as características do Homem de Bem, um dos participantes da reunião tomou a palavra e falou sobre a sua vida. Era um relato inverso aquele que acabamos de ler, recheado de maldades, assaltos, roubos, ameaça, agressividade, prazeres da carne, drogas... eu ouvia aquele relato e a face de atenção que cada um dos presentes colocava naquelas palavras. Fiz a comparação automática da face indiferente que eles apresentavam na leitura do Homem de Bem. Na discussão da leitura e do relato, continuei a observar que não era destacado as características do Bem e sim as aventuras do Mal. Para piorar, a pessoa que descreveu o “Homem do Mal” não tinha nenhuma disposição de mudar o seu comportamento, de reconhecer que aquilo que ele fez de errado não era para acontecer. Mesmo todos percebendo a discrepância entre o Bem e o Mal, mesmo assim o clima de atenção permaneceu favorável a ele, o representante do mal. Entendi assim que nesse “duelo cognitivo” entre o Bem e o Mal, foi o mal que mais influenciou a plateia.
Por isso eu cheguei em casa com a sensação de derrota, de ter comigo uma série de argumentos para realçar a força do Bem e não conseguir meu intento. Parece que eu estava derrotado, como na arena romana dos gladiadores, meu adversário forçava com o seu pé a minha cabeça acabrunhada na areia e esperava o sinal do imperador para acabar com a minha vida. Meu coração estava pesado, eu me sentia incompetente frente ao Pai, pois Ele é quem torcia por mim e deve ter ficado decepcionado. Tratei mal algumas pessoas do meu convívio, sumiu a alegria, fiquei ensimesmado. Felizmente meu coração sintonizado com o Amor Incondicional se voltou para mim mesmo e me deu o perdão, apesar da fraqueza, da incompetência frente ao Pai.
Na semana seguinte, no mesmo local da reunião, o pretenso vitorioso veio me dar com suas palavras uma resposta do Pai. Ele disse que logo que saiu da reunião percebeu um rapaz que parou a moto para conversar no celular. Disse que logo veio na sua mente o desejo de tomar aquele celular, pois tudo estava muito fácil. Mas ele conseguiu resistir a esse desejo e seguir o seu caminho. Disse também que em casa, seus pais que sempre se preocupam com os furtos domésticos que ele pratica, eles colocaram 40,00 reais sobre a mesa sem nenhuma vigilância. Ele disse que acha que foi um teste que seus pais fizeram para testar sua honestidade e que ele também conseguiu passar. Não mexeu no dinheiro e seus pais o encontraram no mesmo lugar.
Foi aí que algumas das pessoas que acompanharam o duelo na semana passada fizeram a observação da conquista que ele teve sobre suas más inclinações, que ele deveria perseverar nesse caminho. Vi que o elogio fazia bem à sua alma e que aquilo que aconteceu serviu de estímulo para ele reformar seus caminhos.
Fui então forçado a fazer novas reflexões. Nem sempre quando nos sentimos derrotados, quando estamos com a cara no chão subjugados pelo adversário, nem sempre estamos derrotados em nossos propósitos. O meu propósito naquela reunião não era o de reforçar o ego de ninguém, como parece ser isso que eu procurava. O meu propósito era de divulgar as lições do Mestre Jesus, de explicar como funciona a Lei do amor e tirar algumas dúvidas nesse sentido. Se alguém surge e fala de suas experiências com toda a pujança, que é capaz de colocar minhas explicações em segundo plano, que sai com o seu ego exaltado em função do meu que ficou acabrunhado, isso não significa derrota para mim. O risco maior de ser derrotado, aconteceu quando eu absorvi esses sentimentos de fraqueza, de derrota e de incompetência e deixei a raiva dominar por instantes os meus sentimentos e comportamento.
Agora vejo com essas novas reflexões a profundidade da lição que o Pai me deu. Eu estou no papel do semeador que joga as sementes do Amor através das palavras em todos os corações. Não importa que vá encontrar corações empedrecidos, áridos, espinhosos, pois mesmo nas condições mais adversas pode haver algum tipo de germinação. Se com isso eu vá ter que sofrer topadas, espetadas ou todo tipo de sofrimento, faz parte da tarefa que me foi dada.
Naquela noite eu cumprira a minha tarefa, semeei as palavras do Evangelho e mostrei como funcionava. Cumpri o meu dever! Que importa se alguém surge e coloca com mais brilho outras sementes, outras informações? Acredito que no coração da plateia que foram semeados com essas palavras a escolha pelo bem deva ser o natural. Também nós que falamos fomos semeados um com a palavra do outro. Da minha parte a semeadura do mal que ele fez em meu coração não teve nenhuma repercussão, logo o fogo do Amor Incondicional a destruiu por completo. Porém, a semeadura do bem que eu fiz em seu coração teve um resultado extraordinário. Ele deixou germinar e conter suas más inclinações em pelo menos dois momentos de sua vida. Como manter agora essa plantinha crescendo em seu coração, para que a aridez do terreno não a destrua.
Talvez seja essa a lição extra que o Pai que me ensinar. Eu devo semear em todos os corações as sementes do amor, independente das frustrações, do sofrimento que o trabalho me cause, e mais ainda, devo ter a preocupação com o terreno que deixa de germinar de alguma forma o bem, com todas a dificuldades. Eu enquanto semeador devo procurar trabalhar esse terreno do coração, retirar pedras e espinhos, adubar com o tipo de fermento necessário ao crescimento e desenvolvimento do Amor.
Não basta apenas jogar sementes!
O Apocalipse escrito pelo apóstolo João representa a janela pela qual a humanidade poderá passar pelo terceiro milênio e sentir a vida nos moldes preceituados pelo Evangelho do Cristo, pela construção do Reino de Deus.
A felicidade para os eleitos na Terra é mesclada de grandes tormentos, pois as provações coletivas induzem as criaturas ao desespero, a vingança e ao ódio. O mundo foge assim da serenidade, assim como dificilmente nele se encontra o Amor; o período é de transição.
Nesse momento precisamos da bênção de Deus, infelizmente poucos sentem essa necessidade, tão ofuscados que estão pelo brilho fugaz das coisas materiais... São fracos na fé ou não a possuem.
Nos últimos acontecimentos do atual orbe terrestre de provas e expiações, que estão iniciando estes três mil anos da vinda de Jesus, nas grandes catástrofes físicas e morais, no contágio galopante do abuso de drogas ou na corrupção desvairada associada a todo tipo de crime, quem não tiver fé dificilmente se salvará. A salvação que é referida é a estabilidade da consciência, é a paz interna no meio das tormentas que se aproximam.
Parece, para os cépticos, que a fé é sinônimo de fanatismo, e esse engano é que vai levá-los ao caos do terrorismo e da depressão. A vida alegre é a que se consubstancia na luz da fé, porque ela eleva o espírito até a plenitude do Amor.
Queira Deus que despertemos cada vez mais para o Cristo, para a disposição de aplicar na prática os seus ensinamentos no resto de tempo que nos é dado, que também representa resto da imprudência, daquilo que não fizemos no passado.
O Apocalipse é um aviso com mais de 2000 anos de antecedência. Todavia, o Evangelho, na sua retaguarda, nos fala do clima que podemos formar em nós, a fim de não sofrermos os desastres coletivos.
Quem se apegar ao Amor, aquele que universaliza todos os sentimentos de fraternidade, se livrará da rede selecionadora que retirará uma grande cota do rebanho humano para mundos inferiores, onde haverá prantos e ranger de dentes.
A terra deverá também cumprir o seu programa evolutivo, de planeta de provas e expiações para planeta de regeneração, onde o mal não tenha mais a primazia.
Quem não acreditar e cruzar os braços diante do Cristo dará sinal de que pertence ao mundo das sombras, e para elas será entregue após ser pego na rede selecionadora pela sintonia do coração.
Não vai, neste sentido, haver opressão, opressor nem oprimidos; nem tampouco divisões por qualidade de riqueza, ostentação, inteligência, religiosidade... Cada um receberá o que realmente merecer pelos atos realizados, pela sintonia transparente e honesta com o Amor.
Essa é a lei de Justiça!
Fiquei a meditar no trabalho que comecei a fazer naquela comunidade de Caicó, do João Paulo II. Tudo começou quando Deus colocou na minha cabeça que eu deveria fazer um trabalho nessa cidade que fosse parecido com aquele que acontece em Campina Grande- PB no período de Carnaval. Logo eu pensei em iniciar um trabalho com um grupo de pessoas que também fossem convocadas por Deus para a realização desse trabalho que se espalharia pelos bairros, pelas instituições e seria organizado um pequeno trabalho em 2015 com essas características, parecido com o trabalho de Campina Grande. Mas logo eu percebi que a ideia que eu tinha não era a mesma que o Pai parece que tem. Logo eu me vi envolvido dentro de uma comunidade extremamente carente em cujo ambiente a minha ideia original não poderia ser colocada em prática.
No último sábado, dia 07-06, após ter vindo da reunião ocorrida dentro da comunidade, fiquei a meditar no seguimento desse trabalho. Certamente que o trabalho que é realizado ali é feito com todo amor e é da maior importância, tanto para crianças quanto para adultos. Mas certamente não foi somente para isso que Deus me colocou nesse lugar, pois isso eu poderia fazer sem tanto sacrifício em Natal. Algo mais está escrito nos planos de Deus e certamente Ele me mostrará em algum momento. Será que essa ideia que começa a tomar conta da minha consciência não é a resposta que espero de Deus?
O trabalho que deve ser realizado com a minha participação tem o sentido de levantar a consciência daquelas pessoas para o valor prático do Evangelho na vida pessoal e na vida em comunidade. Saber que existe um plano do Criador que Jesus revelou, de ser criado aqui na Terra a comunidade fraterna, o Reino de Deus. Então, por que não ensinar sobre a personalidade de cada uma daquelas pessoas que viveram no tempo de Jesus, principalmente os apóstolos? Seria um ensinamento coletivo e depois cada um deles escolheria qual personalidade iria assumir dentro da comunidade. A pessoa que escolhesse determinada personalidade deveria estudar como se comportava essa pessoa e passar a mostrar esse comportamento dentro dos seus diversos relacionamentos, tanto familiar, quanto social, profissional, etc.
O único personagem que não poderia ser representado seria Jesus, pois este já havia “subido aos céus” e agora estava disponível em espírito a qualquer um que tivesse necessidade dele, a qualquer momento, em qualquer lugar ou circunstância.
O grupo de apoio cristão continuaria com o seu trabalho que sempre faz, só que acrescido da função de ser o supervisor e monitorar todo o projeto de “comunidade substituta” através da representação evangélica de cada um dos membros participantes.
Como forma de agregar os interessados nesse projeto, seria encontrado um patrocinador para cada pessoa que fosse representar determinada personalidade, pelo período de um ano, com o valor de 100,00 reais que seria pago a cada primeiro sábado de cada mês. Nesse momento do pagamento cada um dos participantes relataria como estava sendo sua experiência nesse sentido, tanto na família, na sociedade e principalmente a nível íntimo. Não seria cobrada filiação religiosa de ninguém, cada um poderia frequentar a igreja de sua predileção.
Nas datas especiais de Natal, Carnaval, Festa de Santana, e Semana Santa, a comunidade se organizaria para ver que tipo de atividade faria no local com o apoio dos patrocinadores e da comunidade de Caicó em geral.
Penso em ir no primeiro sábado de julho à comunidade e almoçar com eles e aproveito para lançar a ideia e se a ideia for aprovada já ensinar os rudimentos de cada personalidade escolhida para a representação sistemática na comunidade.
Como foi combinado, fui hoje com os companheiros de Natal para o trabalho na Comunidade de João Paulo II, periferia de Caicó. Os companheiros da cidade mostraram in lócus como funciona o trabalho que eles realizam a cada 15 dias. As casas humildes dentro da própria comunidade mostram os móveis velhos, porém asseados. Cadeiras escolares para as crianças e espaço para trabalho de grupo com os adultos. Depois de ver todos os espaços das casas em que o trabalho é feito sentamos em circulo na sala de reunião. Depois das apresentações procurei interagir com o grupo que era composto somente por mulheres da comunidade, procurando saber delas o que elas imaginavam sobre nós, o que queríamos com aquela visita a eles. Entre elas se destacavam duas, uma que atuava como líder, antecipando as respostas que eu dirigia a todos; a outra era a mais engraçada do grupo e chegava a fazer piadas com o próprio nome. Elas responderam quase por unanimidade que nós que viemos de Natal prestar esse serviço de solidariedade porque gostamos e somos pessoas de bom coração. Então eu perguntava se não era mais agradável ficar na beira da praia em Natal, conversando com os amigos, bebendo uma cerveja, comendo um petisco... Elas responderam que para nós era mais prazeroso estar ali com elas porque nós temos um bom coração. Então eu dizia que a minha mente podia pensar de forma racional e dizer que o prazer ou a vantagem de ganhar dinheiro não estava ali, pois naquele lugar eu estava gastando do meu tempo sem ganhar nada com isso. Mas mesmo assim eu desconsiderava as justificativas da razão e ficava com o que pedia o coração. O que fazia essa diferença? Por que eu não iria para os locais onde tivesse mais prazer ou ganhasse algum dinheiro? O que fez eu ter esse comportamento aparentemente tão sem sentido junto com meus companheiro de fé? Enfim uma delas disse que foi Deus.
Reforcei o acerto que ela fez. Disse que realmente este era o motivo, todos nós nos consideramos como filhos de Deus e por isso consideramos todos como irmãos. O Pai deseja que os seus filhos mais desenvolvidos ajudem aos mais fracos, aos mais desconfiados, da mesma forma como acontece com os pais biológicos. Esses também desejam que os seus filhos mais desenvolvidos sejam protegido por aqueles irmãos mais bem desenvolvidos. Assim também somos nós. Ouvimos a palavra do Pai dentro de nossas consciências e resolvemos fazer a Sua vontade. A partir daí fiz uma serie de perguntas relacionadas com a vida de Jesus para eles internalizarem a história do mestre. Onde estava escrita essa história, quais foram as pessoas que as escreveram. Onde foi que Jesus nasceu, quem foi que o traiu, quem o prendeu, como Ele foi condenado. As perguntas surgiam com as respostas sendo efetuadas de forma descontraída.
No fim da reunião fizemos uma roda com as mãos dadas e rezamos a oração do Pai Nosso. Depois pedi que cada uma dissesse uma palavra que viesse do coração e que caracterizaria esse nosso encontro. Todos nos abraçamos como ato de despedida. Elas pediram para que nós viéssemos mais vezes, que almoçássemos com elas em algum sábado. Achei pertinente o pedido e falei para os companheiros da cidade que eu estava disposto a vir com esse propósito. Ficamos de combinar os detalhes por telefone durante este mês.
Sei que isso foi uma gotinha de solidariedade que prestei num mar de necessidades das pessoas daquela comunidade. Mas me senti satisfeito e sintonizado com a vontade do Pai, sei que naquele momento me comportei como irmão de todos e fui dormir com a consciência tranquila.
Na reunião de ontem no Centro Espírita, convidei um amigo materialista para participar. Ele dizia que não acreditava no mundo espiritual e que tudo acabava com a morte do corpo físico. Ele foi para a reunião e eu comecei a ler um capítulo do livro em estudo, “Memórias de um toxicômano”, ditado pelo espírito Tiago. Não consegui ir além das duas primeiras páginas, parei a leitura e confessei que iria abordar um assunto que estava fervendo na minha mente. Queria abordar sobre a existência ou não do mundo espiritual. Interessante que eu comecei a indagação por uma pessoa que estava indo pela primeira vez para esse estudo. Quando eu o provoquei para se manifestar sobre o assunto, percebi que ele estava impassível, com os olhos abertos, sem nenhuma movimentação, nem as pálpebras batiam, chamava pelo nome, tocava em seu corpo e ele não respondia. Verifiquei que os seus sinais vitais estavam íntegros e que suas pupilas reagiam à presença do foco de luz. Não havia risco de vida. No entanto era como se ele estivesse bloqueado de alguma forma. Foram chamados os médiuns que estavam na casa e eles chegaram para aplicar passes nele e em todos nós. Enfim ele despertou daquele êxtase e disse que estava ouvindo tudo que se dizia, mas não conseguia lembrar-se do gesto que fazia com as mãos.
Depois que os médiuns saíram eu retomei a linha de pensamento que queria abordar desde o início. Disse que o acontecido estava situado numa região limítrofe entre a explicação biológica, que considera o que ocorreu como um sintoma de epilepsia, a pessoa teve uma crise chamada de ausência que é uma espécie de epilepsia, e por outro lado tem a explicação espiritual que diz ser o bloqueio na consciência de um espírito que está ao lado dele. A minha formação médica fica mais tendente a considerar o ocorrido como uma expressão de epilepsia, já que a pessoa é um abusador de bebidas alcoólicas e está usando psicotrópicos como medicamentos. Mas isso não impede que os médiuns cheguem junto e façam os seus recursos terapêuticos do passe.
Tudo isso, expliquei ainda, ajuda a colocarmos a questão da existência ou não do mundo espiritual com toda a hierarquia que se origina nele e se espalha pela Natureza, incluindo o mundo material e todos os outros que nossos sentidos não percebem. Se negarmos a existência do mundo espiritual e toda a hierarquia que dele procede, então negaremos o próprio livro que estamos estudando e todo o alicerce espiritual construído pelo homem, inclusive esta casa em que estamos agora abrigados e fazendo esse estudo.
Fui direto ao meu amigo que convidei para o estudo, para colocar em cheque o seu modo de pensar, em induzi-lo à reflexão. Acrescentei ainda que se prevalecesse o seu modo de pensar tudo aquilo que estávamos fazendo. Apesar de toda carga de informação e que ele não podia contestar, pois ele tinha o conhecimento de que tudo aquilo era falamos era somente verdade.
Depois de tudo fiquei a pensar: o que faz o homem inteligente, de posse de tantos bens materiais, títulos acadêmicos, não aceitar a realidade do mundo espiritual somente porque os seus órgãos dos sentidos não o captam. Deve existir algum ponto cognitivo em seu cérebro que justifique tanta resistência, mas até agora eu não consigo alcança-lo, e enquanto isso não acontece, não posso exercer o meu poder terapêutico sobre ele, e como ele espera de mim.
Talvez não saiba disso!