Meu Diário
28/11/2020 00h27
CIRCULO DO MAL DE HITLER (25) – RÖHM ESTÁ DE VOLTA

            Interessante procurar saber como o mal pode se desenvolver e ameaçar todos os países do mundo. O que se passou na Alemanha Nazista sob o comando de Hitler e seus asseclas, abordado pela Netflix em uma série sob o título “Hitler’s circle of evil” serve como um bom campo para nossas reflexões.

XXV

            A eleição de 1930 é um momento decisivo, e agora eles podem pensar na possibilidade de um dia chegar ao poder, ter cargos ministeriais e responsabilidades políticas.

            Pela primeira vez em seis anos, o plano deles de chegar ao poder por meios legais parece ser uma possibilidade real. Mas para um membro do círculo intimo, o ambicioso ex-herói de guerra Hermann Göring, o resultado significa mais que ganho político.

            A eleição proporciona uma restauração fundamental a Göring. Ele estava no Parlamento desde 1928, mas agora tem um assento seguro e pode começar a encher os bolsos. Ele é um industrialista, tem suas próprias empresas, e pode usar a promessa de ação dos nazistas para incentivar o apoio ao nazismo de figuras importantes da indústria. Mas no círculo íntimo de Hitler, é melhor não tirar os olhos dos rivais.

            O Partido Nazista está avançando com sucesso. Mas, apesar dos ganhos políticos, há um problema persistente de seus dias de violência e revolução. Os camisas pardas da SA, os músculos do partido, estão se tornando um constrangimento. A SA parede a ralé que realmente é. Sim, usam uniformes, mas são um bando de arruaceiros. Causam problemas e, agora, se sentem encorajados porque o nazismo se tornou uma grande força política.

            Na pré-eleição, houve vezes que abandonaram seus deveres e, em alguns casos, atacaram membros do Partido Nazista. No começo dos anos 30, a SA era um problema para Hitler. Eles chegaram a entrar em conflito com membros do partido. Eles precisam de um líder que os controle. Com seu histórico militar, Hermann Göring é escolha óbvia.

            Göring comandava a SA antes do golpe de 1923. Há uma percepção de que é um trabalho que ele pode fazer. Mas Göring ficará decepcionado. Heinrich Himmler tem outros planos. Ele não quer lidera a SA pessoalmente, mas vê a ameaça deles como chance de alavancar sua própria posição. Sua bem treinada SS é uma alternativa inspiradora a Hitler, moldada por Himmler com seus ideais de cavalaria de seus míticos ancestrais arianos.

            Himmler quer que a SS seja a representação de um ideal. Não quer um bando de brutamontes, quer que seja altamente disciplinada e politizada, uma força de elite.

            Mas a SA, em competição direta com a SS é um obstáculo para seus planos. Quem assumir a SA precisa simpatizar com sua visão, e ele sabe quem seria ideal. Um membro do círculo íntimo há tempos esquecido: Ernest Röhm.

            Cinco anos antes, esse veterano da Primeira Guerra e beligerante calejado liderava a SA, antes de se desentender com Hitler sobre o papel da milícia e ser excluído do partido. Logo depois, ele se mudou para a Bolívia.

            Durante esses anos de exílio praticamente auto imposto, um nazista manteve contato com Röhm: o atento e astuto Heinrich Himmler. 

            Röhm recrutou Himmler ao nazismo. E agora ele o vê como uma alternativa viável a Göring. Agindo nos bastidores, Himmler ameniza a desavença entre Hitler e seu velho amigo Röhm. E dá certo.

            Em 1930, Hitler pediu a Röhm para voltar da Bolívia e assumir o comando. Hitler nunca confiou 100% em Röhm, mas sabia que suas habilidades eram úteis ao movimento.

            Röhm está de volta.

            A vitória nas eleições começa a produzir dinheiro para os cofres do partido e dos seus integrantes. Mais uma vez, mesmo num país de primeiro mundo, altamente sofisticado, a corrupção prevalece, mesmo que não seja tão escancarada como aconteceu no Brasil. Pessoas como Röhm que podem assumir tarefas partidárias, sem escrúpulos, e fortalecer aqueles que o favorecem, logo são lembrados para a composição do que aqui no Brasil chamamos de quadrilha, e lá está identificado como o circulo do mal, que não deixa de ser a mesma coisa. 


Publicado por Sióstio de Lapa em 28/11/2020 às 00h27
 
27/11/2020 07h10
VINHA DE LUZ 21 – ORAÇÃO E RENOVAÇÃO

            Todo trabalho sincero de sintonia com o amor incondicional nos levanta a alma, elevando-nos os sentimentos. Caso descubramos algo de errado que tenhamos feito, que levou prejuízo ao próximo, mesmo que sem intenção, podemos suplicar a Deus perdão por esse pecado. O remorso por tal prejuízo causado ao outro, pode gerar lágrimas consoladoras. A rogativa dentro dessa aflição, dá-nos a conhecer a nossa deficiência, ajudando-nos a descobrir o valor da humildade. A solicitação de ajuda feita enquanto sofremos a dor do arrependimento se torna fonte sagrada da misericórdia divina.

            A oração refrigera, alivia, exalta, esclarece, eleva, mas, além de tudo, aproxima o coração da sintonia com o Pai. Não podemos esquecer que os atos íntimos e profundos da fé são necessários e úteis a nós próprios. Mesmo que não tenhamos esse hábito, como eu mesmo não tenho, é importante o esforço para conquistar esse hábito, como forma de trazer benefício naquelas áreas que temos a maior dificuldade. Já tenho a consciência das minhas falhas, do mal que causo a mim mesmo, sofrendo os efeitos da preguiça, da gula, e talvez, até da sexualidade.

            Na essência, não é o Senhor da vida que necessita de nossas manifestações de auxílio, mas somos nós mesmos que devemos aproveitar a sublime possibilidade da repetição, aprendendo com a sabedoria que a vida nos traz. 

            Jesus, o Divino Mestre, sabe de nossas fraquezas e espera que consigamos vencer o obstáculo colocado em frente ao nosso caminho; que consigamos fazer a renovação espiritual acima de tudo. Se cometemos erros, é preciso que façamos a retificação, se isso ainda é possível. Se ofendemos a alguém é preciso que o mal seja corrigido e que procuremos a reconciliação. Se entramos em desvio do caminho reto, que tenhamos a perspicácia de ver o erro o mais rápido possível e corrigir a rota para o caminho direito.

Isso me lembra o erro que descobri em apoiar os partidos de esquerda, o PT principalmente. Ajudei o Lula na sua primeira eleição vitoriosa para a presidência da República. Mas quando descobri que o presidente eleito estava mentindo descaradamente no escândalo do mensalão, de repente corrigi a rota e percebi os diversos erros que tais partidos faziam em nome da ideologia que eu acreditava. Fiquei perturbado com tal situação, mas procurei voltar a harmonia entrando por outros caminhos, por ideologias mais próximas do ideal cristão, e repudiei, como seria de esperar, o caminho errado que eu estava caminhando por ele. Procurei não abrigar dentro de mim a revolta, entendi a fraqueza moral ou intelectual de quem vê o erro, mas não percebe, ou tolera a iniquidade. Procurei simplesmente fazer a reforma íntima com disciplina para sintonizar melhor com os ensinamentos do Cristo, com a vontade de Deus. 

            Em qualquer posição de desequilíbrio moral, que eu tenha causado por isso algum mal, ou que esse mal é provável de acontecer e não tenho forças para corrigir ou evitar, devo lembrar do valor da prece que pode trazer sugestões divinas, ampliar a minha visão espiritual e proporcionar consolação necessária e abundante, renovando minhas forças para fazer o que é necessário e voltar à sintonia com o Pai. 

            Apesar de tudo isso de positivo que está na minha mente, para o Pai não bastam as preces convencionais, verbalistas, sem o empenho da mente e coração, razão e sentimento.

            O Mestre Jesus nos oferece a dádiva do conhecimento, de reconhecer o amor incondicional como a essência do Criador e pede-nos para tomar a iniciativa, de realizar a nossa missão antes que o dia termine.

            Este são os meus dias de luta, antes que chegue o final da existência. Devo fazer constante comunicação com o Pai na oração e renovação das minhas intenções de procurar fazer a Sua vontade, mesmo sabendo do esforço hercúleo que devo fazer para vencer a inércia da ociosidade.


Publicado por Sióstio de Lapa em 27/11/2020 às 07h10
 
26/11/2020 00h25
CIRCULO DO MAL DE HITLER (24) – UMA CRISE, UM MILAGRE

            Interessante procurar saber como o mal pode se desenvolver e ameaçar todos os países do mundo. O que se passou na Alemanha Nazista sob o comando de Hitler e seus asseclas, abordado pela Netflix em uma série sob o título “Hitler’s circle of evil” serve como um bom campo para nossas reflexões.

XXIV

            Em 1928, o inexperiente Partido Nazista está se recuperando do desastre eleitoral e lutando por legitimidade. Qualquer observador consciente daria o nazismo como perdido. Mas eventos globais vão lhe dar uma tábua de salvação. É uma oportunidade de acessar o poder, o que não pareceria nem nos sonhos mais loucos.

            O propagandista Joseph Goebbels dedica-se a fazer campanhas sem parar. Enquanto o ex-herói de guerra Hermann Göring entra no parlamento. E o aspirante a soldado e burocrata Heinrich Himmler recruta um novo aliado perigoso ao círculo íntimo. Ele cria lealdade ao dar uma segunda chance às pessoas que tiveram um colapso na carreira. Na luta por poder político e pessoal, eles vão se voltar uns contra os outros, e um deles será destruído.

            Acontece um dos atos mais infames de violência política da história. Esta é a história dos capangas de Hitler, da inveja, da luta pelo poder e dos bajuladores que criarão um monstro e alimentarão os horrores brutais do Terceiro Reich.  

            Maio de 1928. As eleições dão aos nazistas a chance de conquistar o eleitorado alemão. Combinando a organização obsessiva de Himmler, Göring galanteando o sistema e a incessante campanha de Goebbels, o círculo íntimo tem muita esperança de sucesso político. Mas não acontece. 

            A eleição de 1928 para o Partido Nazista foi um total desastre. As pessoas não acreditaram nas políticas de Hitler. Qualquer observador consciente daria o nazismo como perdido.

            Apesar de apostar tudo em uma campanha profissional, a mensagem de colapso econômico é ignorada. Os bons tempos dominam a Alemanha. Após anos de crise financeira, o país prospera graças aos empréstimos americanos. As coisas nunca estiveram melhores.

            Em 1928, os alemães se sentiam confortáveis e não precisavam ser tirados da zona de conforto por Adolf Hitler. Partidos nos extremos do espectro político precisam de uma crise para chegar ao poder. 

            O círculo íntimo precisa de um milagre. Então, os Estados Unidos dão a esse comprometido grupo a calamidade nacional que previram.

            Em 29 de outubro de 1929 fica conhecido como a “Terça-Feira Negra”. Ocorre a quebra da Bolsa de Valores em Wall Street. 

            A Alemanha conseguiu prosperar nos anos 20 com empréstimos americanos. A exportação alemã dependia de uma economia mundial em expansão. A quebra de Wall Street paralisou a economia internacional. 

            Da noite para o dia, milhões de dólares em empréstimos bancários são cobrados. A Alemanha e sua economia entram em queda livre.

            A quebra da Bolsa e a Grande Depressão são um grande desastre para a Alemanha, que não tem estabilidade nem estrutura para suportar essa grande quebra. É uma grande oportunidade para os nazistas. Se antes pareciam irrelevantes, agora pareciam profetas. Nesse clima caótico, parecia que, finalmente, o círculo íntimo teria chance ao poder. Quando o governo de coalizão cai, outra eleição é convocada para 1930. Para dois jovens maiorais do partido é uma chance para brilhar.

            O propagandista e orador público Joseph Goebbels atira-se em campanha política. É uma grande oportunidade para ele, que agora é chefe da propaganda nazista. Agora virou um palco nacional no qual ele pode... não desfilar, mas pode mancar nele.

            E o rapaz dos bastidores e planejador meticuloso Heinrich Himmler empresta suas habilidades organizacionais. Eles querem se tornar visíveis, estar em toda parte. A prioridade principal era garantir um representante em cada cidade pequena. Juntos eles fazem campanha para o partido ter exposição máxima. Um Blitzkrieg político. Toda cervejaria, estalagem, taberna, restaurante, toda prefeitura de vila e cidade, toda cabaninha terá um encontro nazista em algum momento da eleição.

            Eles usam métodos inovadores para propagar a mensagem às massas. Eles usavam peruas e carros com alto-falante, distribuíam jornais e panfletos. Acima de tudo, sua energia pura e paixão são incessantes. Nas últimas quatro semanas de campanha, houve 34 mil encontros do Partido Nazista. Naquela época de mídia pré-massa, isso mostrava a energia usada na propagação da mensagem. E essa tática provará ser devastadoramente eficaz.

            Em 14 de setembro de 1930, sai o resultado da eleição. O número de votos para os nazistas foi absolutamente enorme. Quatro vezes maior do que foi 24 meses antes. Eles receberam 6,5 milhões de votos, e isso lhes dá 107 assentos no Reichstag. Antes eram 12. Foi um terremoto político.

            Para Goebbels, é um triunfo inacreditável, ficou chocado. Ele esperava se saírem bem, mas não tanto assim. Esse é o momento em que o Partido Nazista se tornou uma força nacional, e, claramente, uma força a ser levada a sério. Eles ainda não estão no poder, e têm um longo caminho pela frente, mas estão no mapa e, como segundo maior partido no parlamento, estão sendo notados.

            Para os protagonistas, o resultado da eleição muda tudo.

          Podemos verificar que toda a ação política de Hitler e das pessoas ao seu redor tem uma prática perversa, violenta, agressiva, mesmo que o discurso evoque algo que as pessoas precisam: respeito e dignidade, perdidas com o resultado da primeira grande guerra. As pessoas não se engajam em tal discurso sem ter por motivação uma crise que ameace a sobrevivência. Foi essa crise na Alemanha, surgida num momento de harmonia onde todos estavam evoluindo, que chegou como um milagre ao avesso. Pois um milagre sempre traz em seu bojo coisas positivas, esse milagre caracterizado pela crise, veio permitir que um núcleo do mal predestinado ao fracasso viesse se reerguer como veremos mais adiante.


Publicado por Sióstio de Lapa em 26/11/2020 às 00h25
 
25/11/2020 07h42
 ÉTICA – UMA LIÇÃO ONÍRICA?

            Sonhei que estava num ambiente da igreja católica, num evento, onde encontrava pessoas conhecidas do meu passado de infância, mas que não sabia localizar com certeza. Sabia que eram rostos conhecidos. Um deles, querendo homenagear o amigo que havia sido o responsável pelo evento, disse que iria fazer uma surpresa no final lhe dando um presente muito especial. Assim fez. No final, entregou um carro zero km de presente ao amigo. Depois explicou como havia feito isso sem gastar nenhum tostão.

            Ele descobriu que de onde estava, numa posição geográfica mais elevada, ele podia ver os arredores de cima para baixo. Descobriu que estava sendo realizado um bingo onde sua esposa participava e que ele podia ver o palanque onde estavam sendo colocados os números de forma antecipada. Assim, com o uso do binóculo ele conseguia ver o número e passar para a sua esposa, e dessa forma ele conseguiu o carro que beneficiou o amigo. 

            No sonho, eu identificava a falha ética e queria dizer isso, mas não tinha como. Apenas cumprimentei os meus amigos que também ficaram confusos de onde me conheciam.

            Eu raciocinava que foi feita uma iniquidade, deixando o jogo viciado e prejudicando alguém que deveria ser o real ganhador. Mas, o meu amigo que procedeu errado, ganhando o carro de forma criminosa, não ficou com o bem, deu a seu amigo. Isso é um atenuante. O amigo que recebeu o carro, por não saber da origem criminosa, não tem culpa por ter recebido o bem. Mesmo porque, se ele fosse pedir explicações sobre a origem do presente, poderia receber uma mentira. Enfim, o maior prejudicado do ponto de vista ético, foi quem engendrou o artifício para ganhar o carro.

            No sonho, eu ainda continuava as reflexões, de como nos deixamos iludir pelas oportunidades criminosas para nos beneficiar ou beneficiar os amigos. Tentava ver uma forma onde o principal agente da iniquidade poderia ter sua ação também atenuada. Isso poderia acontecer se o carro que ele conquistou de forma criminosa fosse dado ao amigo por outra pessoa, que o beneficiado nem ninguém soubesse que tinha sido um presente seu. Da forma que aconteceu, ele ficou com o benefício da vaidade e do orgulho, de ter dado um presente tão significativo ao amigo. Somente ele sabia o ato iniquo que foi realizado e da recompensa que achava que o seu amigo merecia. Dessa forma, ninguém sabia da iniquidade, do desvio ético, mas ele sim, estava registrado em sua consciência.

            Nesse sonho, sei que houve uma permissão do simbolismo onírico quanto a realidade racional. Mas o que fica como lição é a forma de agir dentro da ética, que faz parte do amor incondicional, e que não devemos nos desviar dela, mesmo que ninguém seja testemunha desse desvio.

            Esta é uma lição que o Pai está enviando para mim? Qual o comportamento que faço hoje, que fere a ética, e que ninguém é testemunha? Tenho que rever todo meu repertório comportamental. No momento só me vem na consciência uma condição: a masturbação. É um momento que alimento o Behemoth com fantasias, eróticas, sexuais, mas sem nenhum impacto na realidade e que ninguém tem conhecimento. Fica tudo guardado na caixa preta. Acredito que o Pai permita este tipo de comportamento, que está aliviando as tensões do meu monstro interno, para que ele não me force a agir dentro da realidade para adquirir os prazeres que ele deseja e prejudique o próximo, as minhas prováveis amigas e companheiras que de certa forma se aproxima de mim, nas diversas condições e caminhos que o Pai deixa a nossa disposição.

            Acredito que esta seja a lição que o Pai está me dando. Eu não posso criar uma fantasia na mente que seja um desvio da ética. Mesmo que eu tenha a consciência de que não irei praticar isso dentro da realidade, nem que ninguém nunca saberá. Sei que já faço assim na realidade, no comportamento de masturbação. Procuro sempre uma fantasia dentro da ética, mas talvez esteja cometendo alguns desvios para apimentar o apetite do Behemoth. Talvez seja isso que o Pai esteja me advertindo, para eu ser mais cuidadoso e criterioso nas fantasias que elaboro, para não criar lixo de iniquidades dentro da minha consciência onde está localizada a Sua lei.   


Publicado por Sióstio de Lapa em 25/11/2020 às 07h42
 
24/11/2020 00h23
CIRCULO DO MAL DE HITLER (23) – FIASCO ELEITORAL DE 1928

            Interessante procurar saber como o mal pode se desenvolver e ameaçar todos os países do mundo. O que se passou na Alemanha Nazista sob o comando de Hitler e seus asseclas, abordado pela Netflix em uma série sob o título “Hitler’s circle of evil” serve como um bom campo para nossas reflexões.

XXIII

            Nos primeiros anos de formação da SS, Himmler investe muito tempo na escolha a dedo dos novos membros da organização. Ele acredita piamente que a aparência física é um reflexo de seu valor racial.

            Analisando as fotografias, ele elimina candidatos que não tem o estereótipo ariano. Mesmo assim para ser considerado, o candidato precisava traçar sua ascendência alemã até o século 18.

            A visão de Himmler sobre a SS evolui lentamente nos anos 20. Ele é atraído pela ideia quase mística de cavaleiros do movimento, homens que serão os nacional-socialistas mais puros.

            Embora, tecnicamente, a SS ainda faça parte da AS, Himmler garante que seus homens se destacarão. Uma força de elite de cavaleiros nazistas. Himmler veste sua elite ariana com uniformes característicos, feitos pelo designer de roupas Hugo Boss, membro do Partido Nazista. Era preciso usar botas e calças pretas. E tinham um emblema de caveira e ossos cruzados. O totenkopf. Simbolizando força, propósito, lealdade e compromisso até a morte, é um visual marcante.

            Pode-se comparar a SS a uma guarda imperial da Roma antiga. Os cavaleiros de Himmler se dedicarão a proteger e servir um homem: Adolf Hitler.

            Ele percebe que a melhor forma de avançar era demonstrar a lealdade da SS ao Führer, permanecer leal e ficar ao lado dele sempre que houvesse alguma disputa dentro do partido, e defender as decisões do Führer sempre que possível.

            Lentamente, as bases do círculo íntimo de Hitler são posicionadas. Hess cuida das decisões diárias e das regras do partido. Goebbels é o porta-voz do partido. E Himmler e sua SS são a força policial.

            Por enquanto, há pouca animosidade entre os dois maiorais do partido: Himmler e Goebbels. A essa altura, eles ainda são jovens. Têm cerca de 25 anos. Então, ainda são figuras juniores, mas com muita ambição. Um tem conhecimento do outro. Um reconhece os talentos do outro. Eles se respeitavam. Um via no outro competência, eficiência, dedicação, rigor, coisas que admiravam muito. 

            Trabalhando em esferas diferentes, esses dois jovens empreendedores investem energia e esforço no sucesso do partido.

            Em 1927, termina a proibição de discursos de Hitler, e o Partido Nazista pode usar sua arma mais poderosa com o público alemão. Sua mensagem: a Alemanha deve retomar controle de suas finanças quanto aos vitoriosos da Primeira Guerra. Quando ele volta a discursar, fala de algo que vira uma grande questão. A Alemanha em recuperação não pode ser controlada por forças financeira externas.

            Hitler avançou de forma bem eficaz, tornando-se proeminente ao tratar dos interesses da Alemanha.

            Os discursos populistas de Hitler fascinam as massas alemãs, mas os nazistas também precisam do apoio dos poderosos da Alemanha. No passado, Hermann Göring tinha sido essa conexão.  Mas ele está exilado, inimigo do Estado, e nos últimos quatro anos sofre com a dor e o vício em morfina.

            Finalmente, uma porta se abre para Göring. Para celebrar os 80 anos do presidente Hindenburg, o Parlamento oferece anistia aos exilados políticos. Göring aproveita a chance. Em 1927, ele volta, achando que será recebido de braços abertos pelo nazismo, e que Hitler dirá: “Volte, Hermann, somos velhos amigos.” Mas em vez disso, ele tem uma recepção meio fria.

            Mas Hitler percebe que os talentos de Göring seriam de grande valor. O trunfo que Göring tem ao voltar é o fato de ele ser uma personalidade, sociável, ter contatos. Com seu status de herói e suas habilidades sociais, ele se apresenta como embaixador do partido. Ele logo vira a ligação entre os nazistas e o poder conservador da Alemanha. Eles não o veem como um perigoso terrorista político. Não é como Himmler e Goebbels. Ele será muito útil ao partido para construir ligações com as forças conservadoras.

            Com o círculo íntimo junto novamente, precisam apostar tudo e arriscar nas eleições nacionais de 1928. Discurso público, panfletagem, astutas manobras de bastidores. Todos têm um papel. É hora da recompensa após anos de reconstrução. Para Hitler, é um teste. Ele está confiante de que 1928 será o ano da virada. Isso se o caminho legal ao poder gerar mesmo votos e assentos.

            Mas enquanto a máquina nazista funciona bem, a mensagem deles de crise iminente não condiz com o ânimo geral. A eleição de 1928 para o Partido Nazista foi um total desastre. Era a chance de eles mostrarem que era um partido legítimo, que a visão nacionalista e socialista para a Alemanha era o modo de avançar. As pessoas não acreditaram nas politicas de Hitler.

            Conseguindo apenas 2,6% dos votos nacionais totais, tiveram 100 mil votos a menos que na eleição de 1924. Após quatro anos de tanta campanha, é catastrófico.

            Mesmo em Berlim, onde Goebbels fez campanhas incessantemente e provocou todo tipo de problema para conseguir notoriedade e publicidade para seu pequeno movimento, eles conseguiram mais apoio, mas estava longe de ser o partido majoritário.

            Enquanto a Alemanha estiver próspera, ninguém quer ouvir histórias pessimistas, apocalípticas de Hitler. Partidos marginais nos extremos do espectro político precisam de uma crise para chegar ao poder. Em 1928, os alemães se sentiam confortáveis e não precisavam ser tirados da zona de conforto por Adolf Hitler.

            Os nazistas ganham apenas 12 dos 500 assentos do Reichstag. Do séquito de Hitler, apenas Goebbels e Göring são eleitos membros do Parlamento. É pouco consolo.

            No fim de 1928, fica claro que o partido está em crise. Para onde vai? Não está conseguindo votos. O número de membros cresce lentamente. Está claro que eles precisam de uma crise. O partido só se tornaria politicamente importante se houvesse uma crise.

            Com suas previsões de catástrofe financeira sendo ignoradas, o Partido Nazista está à beira de desaparecer como força política. Eles precisam de um milagre e o conseguem.

            Em 29 de outubro de 1929, há uma quebra da Bolsa de Valores em Wall Street, e os financistas americanos cobram seus empréstimos à Alemanha. Da noite para o dia, o país volta à anarquia do desemprego e da falência. Apenas um homem previu isso: Adolf Hitler. Imediatamente, ele passa de político sem importância a profeta.

            Enquanto o país mergulha em caos, os ambiciosos homens ao redor de Hitler recebem uma oportunidade de ouro que agarram com as duas mãos.

            Sempre a ambição está em volta daquele que pode atender seus desejos, não importa que método use para isso, quer seja a violência como na Alemanha, quer seja com a corrupção como no Brasil. Sempre a crise é a temperatura certa para esses ovos de serpente vingar. Por isso as pessoas com essas más intenções, torcem ou geram as crises para poderem surgir como o salvador dos inocentes.

            Chega o momento em que as lições do Cristo devam superar essa gestão de crises e organizem a sociedade com harmonia e justiça, liberdade e solidariedade, para que caminhemos em direção ao Reino de Deus.


Publicado por Sióstio de Lapa em 24/11/2020 às 00h23



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Imagem de cabeçalho: Sergiu Bacioiu/flickr