Meu Diário
03/02/2021 00h24
NETO DE DEUS

            A família espiritual é bem diferente da família biológica. Na família biológica observamos uma forte tendência ao egoísmo, em privilegiar os parentes consanguíneos em detrimento dos outros. Existe uma hierarquia a partir do pai/mãe que se estende aos filhos, netos, bisnetos, etc.

            Na família espiritual existe um só Pai, o Criador de todos. Jesus veio nos ensinar sobre essa paternidade em nome do nosso Pai, explicando que era o filho de Deus e que todos somos irmãos em função disso. Explicava que o laço que nos une não é o de sangue, biológico, material, e sim o laço espiritual com origem em Deus, nosso Pai comum.

            Com essas explicações passamos a entender que Deus, o Criador, o Pai espiritual prevalece sobre qualquer família biológica, sanguínea, material ou cartorial. 

            Os documentos que possuímos é quem faz a identificação dos parentes biológicos ou cartoriais. E quem faz a identificação dos parentes espirituais? Jesus deu a dica, com uma lição dura que envolveu seus parentes biológicos, mãe e irmãos. Quando sua mãe e irmãos foram à sua procura e o encontrou reunidos com apóstolos e demais pessoas que ouviam suas lições, ao ser informado que sua família, sua mãe e irmãos estavam lhe procurando, ele respondeu de forma a ensinar esse detalhe hierárquico entre a família biológica e espiritual, mais ou menos assim:

            - Quem são meus irmãos e minha mãe, minha família, são aqueles que fazem a vontade do Pai.

            Foi uma resposta chocante para todos, principalmente para sua mãe e irmãos. Jesus estava os humilhando somente porque se considerava o filho de Deus? Talvez tenha passado essa ideia na cabeça de todos. Alguém muito ligado aos pais biológicos poderia ter saído da reunião revoltado. Não há relato de que ninguém chegou a sair da reunião, mas o constrangimento ficou. 

            Agora, 2.000 anos após esse ministério de Jesus, que suas lições ganharam o mundo através dos Evangelhos e daqueles que se consideram cristãos, a hierarquia superior da família espiritual ainda não se consolidou como a principal, de acordo com a hierarquia. Continua prevalecendo a família biológica, principalmente a família nuclear, com toda a carga de egoísmo que existia no passado. 

            Muitos missionários atuais, que levam o ensinamento da família espiritual, não a praticam como ensinam. Apenas Jesus foi fiel no ensinamento, chegando a não casar, abandonar sua casa, sua mãe e irmãos, para ensinar o que o Pai lhe ordenou e salvar todos os irmãos espirituais, não só os parentes. 

            Refletindo sobre essa situação, fico tentado a considerar Jesus como o meu pai espiritual, já que foi ele quem me introduziu na família espiritual através de seus ensinamentos que considero como impecável. Pensando assim, e agindo como Jesus, que agia como Deus, passa a ser considerado uma nova hierarquia dentro da família espiritual. Se considero Jesus como meu pai, então sou neto de Deus. Se vou ensinar a alguém da forma que Jesus me ensinou e essa pessoa passa a agir da mesma forma que eu, então essa pessoa é minha filha espiritual, neta de Jesus e bisneta de Deus... e por aí vai. 

            Posso ser considerado como prepotente, como Jesus deve ter sido quando colocou sua família biológica abaixo da família espiritual. Que eu estou tirando a paternidade direta de Deus. Mas será que Ele se incomoda com isso? Será que considerando assim, não vai fortalecer o meu compromisso com a família espiritual, já que eu me coloco como modelo bem próximo ao meu discípulo, ao meu “filho” para o qual tenho que ser exemplo?

            Existe algo parecido no meio acadêmico. Costumamos dizer que os professores que nos acompanham nas atividades de pós-graduação são os nossos pais acadêmicos. E isso não leva nenhuma desonra para os pais biológicos ou para Deus.   


Publicado por Sióstio de Lapa em 03/02/2021 às 00h24
 
02/02/2021 00h23
VINHA DE LUZ (27) – INDICAÇÃO DE PEDRO

            Pedro, talvez o discípulo mais bruto que Jesus escolheu, chegou a decepar a orelha de um soldado num ímpeto de fúria, na defesa do Mestre, também tem seus momentos de racionalização e chega a escrever textos que estão incluídos na Bíblia, e que servem para nossa reflexão, como podemos observar em I Pedro, 3:11 – “Aparte-se do mal, e faça o bem; busque a paz, e siga-a.”

            Este conselho do apóstolo escolhido por Jesus para conduzir suas ovelhas, para que tenhamos dias felizes, parece simples pelo reduzido número de palavras, mas revela um campo imenso de obrigações. 

            Não é fácil se apartar do mal quando estamos bem próximos dele, quando o consideramos como algo positivo, quando nos traz prazeres imediatos para o nosso corpo e mente, quando estamos dentro de desvios e não percebemos. Mesmo quando somos alcançados pela luz da verdade, como esta que o Evangelho traz, que nos faz perceber que estamos errados e que devemos mudar de rota, mesmo assim não é fácil. Talvez sejam necessárias várias reencarnações para fazer essa correção.

            Da mesma forma, é difícil praticar o bem quando estamos dentro das nocivas paixões pessoais, ideologias de todo tipo que nos empolgam a personalidade. É preciso reconhecer que, se nos conservarmos envolvidos na túnica pesada dos nossos velhos caprichos, sem um momento de abertura da mente para fazer uma avaliação neutra, se torna impossível buscar a paz e segui-la. Sempre estamos imaginando que o outro que pensa de forma divergente é quem está errado.

            Os males numerosos aos quais nos inclinamos e por vezes participamos, nas diversas sendas evolutivas, nos jogam ao exclusivismo e ao atrito inútil, no desperdício de energias sagradas, que deveriam estar sendo usadas para a harmonia social, para a tranquilidade consoladora para a existência de qualquer irmão que esteja aprisionado por mentiras e falsas narrativas, pois esta é situação real da maioria das pessoas encarnadas e grande parte dos desencarnados. São as pessoas acomodadas aos círculos de interesse material, e a morte física não soluciona tal problema, pois está impregnado com o foro íntimo de cada um. 

            O conselho de Pedro, desse modo, traz um desafio generoso, que devemos operar todo esforço e convergir par essa realização.

            Que seja dilacerada nossa alma, que humilhe os falsos ideais, apartemo-nos do mal e pratiquemos o bem possível, proporcional ao poder que cada um tenha alcançado.

            Quem descobre a verdade, deve ter o dever moral de divulgar, de defender contra as manchas das sombras.

E tão logo alcancemos as primeiras expressões deste sublime serviço, referente à própria edificação, lembremo-nos de que não basta evitar o mal e sim nos afastarmos dele, semeando sempre o bem, e que não vale tão-somente desejar a paz, mas buscá-la e segui-la com toda a persistência de nossa fé.


Publicado por Sióstio de Lapa em 02/02/2021 às 00h23
 
01/02/2021 00h23
ORAÇÃO FEVEREIRO 2021

            Pai, mais uma vez estou aqui, falando conTigo. Tenho consciência que És a sabedoria suprema do universo e que sou apenas uma pequeníssima partícula de Tua existência. Que fui criado para evoluir e aprender às minhas próprias custas, para me aproximar de Ti com os meus valores conquistados, com muito empenho e sofrimento.

            Pronto! Este é o ponto. Valores conquistados com muito empenho e sofrimento. Onde está meu empenho e sofrimento?  São as pegadas de minha evolução, mas não vejo isso. Vejo que faço mais a minha vontade, a vontade do Behemoth que Tu criou e colocou dentro de mim, para me proteger, mas não para me dominar e fazer somente o que ele quer. Alcançar o prazer imediato que ele deseja. E eu me torno instrumento do desejo dele ao invés de ser o instrumento da Tua vontade.

            Sei que tenho a eternidade ao meu dispor para eu alcançar o nível de pureza suficiente para chegar perto de Ti. Mas como seria bom se eu pudesse acelerar o processo de purificação, que estivesse pronto, determinado a assumir a cota de sacrifício necessária, como eu já sei que é assim.

            O meu espírito está na gerencia deste meu corpo, para isso ele foi formado. Para ser instrumento da minha vontade. Reconheci o Senhor, como meu Pai, a quem devo obediência, de fazer a Tua vontade e não a minha. Este é o caminho mais reto para que eu chegue a Tua intimidade. Mas o monstro que Tu criou dentro de mim, para proteger o meu corpo, emite desejos para a minha mente que ofusca a vontade que tenho de ser um filho obediente. Posso até ser obediente, como aquele filho da parábola, que disse que ia obedecer ao pai, mas não foi fazer o trabalho designado. Que tipo de obediência é essa? Pura falsidade!

            Não quero dizer, falando assim, que estou sendo falso conTigo, Pai, mas qualquer pessoa que esteja me observando e vendo o que estou prometendo e que não estou fazendo, chegará facilmente a essa conclusão, de que estou sendo falso. 

            Mas minha consciência não me acusa de falsidade. Acusa de preguiça, falta de empenho, de determinação.

            Estou no limite entre a desistência e fazer mais um esforço para recuperar o cumprimento de minha tarefa. Sei peço diariamente: sabedoria, coragem e inteligência rápida, mas parece que tudo cai no vazio, que ninguém me ouve, que não sou atendido em nada. Mas sei que Tu, Pai, tudo ouve e tudo decide com sabedoria. Se ainda estou na estaca zero daquilo que desejo alcançar, talvez não seja porque eu deva esperar isso como um presente, e sim alcançar com os meus próprios esforços.

            Se é assim, Pai, por que devo continuar pedindo esses atributos diariamente? Será porque o eco de minhas súplicas é que irá despertar essas forças que estão vivas, latentes, dentro de mim? Que tudo que estou pedindo a Ti, Tu já de deste desde o momento que me criastes, que estão esperando somente o momento de germinar, e que talvez o adubo para isso seja o sofrimento que eu procuro evitar.

            Sim, talvez seja assim, Pai. Vou continuar refletindo e lutando para vencer. Não quero perder as chances que esta minha atual reencarnação me ofereceu. 


Publicado por Sióstio de Lapa em 01/02/2021 às 00h23
 
31/01/2021 00h20
CIRCULO DO MAL DE HITLER (60) – LOUCURA DE HESS

            Interessante procurar saber como o mal pode se desenvolver e ameaçar todos os países do mundo. O que se passou na Alemanha Nazista sob o comando de Hitler e seus asseclas, abordado pela Netflix em uma série sob o título “Hitler’s circle of evil” serve como um bom campo para nossas reflexões.

            LIX

DEZ DE MAIO DE 1941

Hess atravessa a Alemanha e o Mar do Norte rumo à Escócia. Ele entra no espaço aéreo inimigo e chega ao seu destino, no sul de Glasgow. Mas com pouca luz, ele não consegue ver onde pousar. Decide que não há alternativa. Precisa pular.

É algo extraordinário. Ele nunca havia pulado de paraquedas. O vice do Führer do Partido Nazista em uma missão solo em um Messerschmitt 110 voando sobre a Escócia para um lugar que não conhecia e pulando de paraquedas pela primeira vez na vida.

A coisa toda, não tem como ser inventada. Apesar de todos os perigos, Hess aterrissou em segurança. Foi praticamente um milagre ele ter conseguido isso. Quando aterrissou, deve ter pensado que sobreviveu a um voo e a um épico pulo de paraquedas e ainda estava vivo. Talvez fosse o destino fazendo dar certo.

Ao ouvir o avião cair, um fazendeiro vai investigar. Ele dá de cara com o vice do Führer. “Sou alemão”, o intruso anuncia. “E tenho uma mensagem importante para o duque de Hamilton.” O guarda local chega à cena. A partir daí tudo fica muito ridículo. O que houve depois parece saído de uma comédia britânica antiga. O fazendeiro o leva a casa dele e lhe dá uma xícara de chá aos moldes britânicos. Pensou ele, “é assim que fazemos na Grã-Bretanha, oferecemos chá, mesmo para o alto escalão nazista.”

Mas a recepção calorosa não dura muito. Depois ele é levado a um quartel onde é mantido e aí o problema começa.  O prisioneiro é identificado como o vice do líder inimigo. Não era a recepção que ele esperava.

Hess tem a ilusão de enxergar o sistema político britânico com uma mentalidade quase feudal, um sistema em que duques e barões ainda têm muita influência política. Mas não tem. Ele acredita que será levado em um carro especial para jantar com Winston Churchill, e que terão conversa de alto nível. É muito diferente na prática e isso mostra o quanto Hess estava desconectado da realidade.

No mesmo fim de semana, Adolf Hitler está relaxando em seu retiro na Baviera, o Berghof. No domingo cedo, quase na mesma hora em que Hess é identificado na Escócia, seu secretário chega com uma carta importante para o Führer. “Mein Führer, quando receber esta carta, estarei na Inglaterra. A decisão de dar esse passo não foi fácil para mim.”

Hess diz que fez isso para o bem do seu querido Führer e da Alemanha. “A guerra com a Inglaterra não serve ao nosso interesse, precisamos de paz.”

“E se, mein Führer, este projeto, que admito ter poucas chances de sucesso, fracassar, e o destino ficar contra mim, isso não deve prejudicar você ou a Alemanha. Você pode negar toda a responsabilidade. Apenas diga que estou louco.

No alto da montanha em Obersalzberg, um turbilhão acontecia. No centro dele, estava Hitler, possesso de raiva por seu colega mais confiável e leal de tantos anos ter pegado um avião durante a noite e voado sem lhe dizer nada. 

Os membros principais do partido são convocados. Bormann não tem resposta para as furiosas perguntas de Hitler. Como Hess poderia ter voado sem ninguém saber? Por que ninguém o deteve? Ele fica em posição delicada por ainda ser o vice de Hess. Ele ficará prejudicado por associação com o traidor? O maníaco por controle perdeu o controle. O que acontecerá agora? No círculo íntimo, todos se perguntavam como isso seria apresentado ao público. Martin Bormann contatou Joseph Goebbels, que respondeu que há situações em que a propaganda não tinha a resposta, e aquele era o caso. Rudolf Hess perdeu a noção.

Em seu diário, Goebbels define o clima no círculo íntimo: “A situação toda está confusa, é um golpe duro e quase insuportável. O Führer está abalado. Que imagem pública! O vice do Führer, um homem mentalmente perturbado. Terrível e impensável. Agora vamos ter de lidar com isso.”

Goebbels faz o que Hess sugeriu. Suas estações de rádio noticiam que Hess estava louco. Uma carta que ele deixou demonstra, em sua confusão, a prova do distúrbio mental, o que nos leva a temer que o membro do partido Hess foi vítima de um devaneio.

A transmissão sugere que o vice do Führer deve ter caído com o avião e sofrido um acidente. E isso, até onde o atordoado grupo de Hitler sabe, é o fim do assunto.

Hess torna-se assunto proibido, não deve ser mais mencionado em público. Mas uma pergunta inquietante fica na mente de muitos alemães, uma voz que ninguém ousa falar em voz alta. Se Hess estava louco, por que ainda era o vice do Führer?

Quatro horas após o boletim na rádio alemã, a BBC transmite um anúncio chocante. Eis as notícias de Londres. Rudolf Hess, vice de Hitler, voou da Alemanha e aterrissou na Escócia de paraquedas.

Os noticiários se regozijam com a bizarra reviravolta. A chegada inesperada de Hess na Escócia é um momento de diversão nos dias sombrios da Blitz.

O nome dele á David McClean. Ele trabalha em uma fazenda em Glasgow. Ele viu Rudolf Hess descendo de paraquedas à noite. Os ingleses tratam como se fosse uma piada. “Eu fui à fazenda e a única arma que achei foi um forcado.” Dizia o fazendeiro na televisão. Como assim? Não pode ser verdade. “Ele não quis beber chá, só água.” Continua o divertimento. Churchill nem dá importância. A imprensa britânica trata como uma grande piada: “Hess foge de Hitler.”  O que está acontecendo? 

Rudolf Hess pensou que seria convidado a tomar chá com Churchill, mas, em vez disso, foi levado à Torre de Londres. Diz aos interrogadores: “A ação mais inteligente seria a Grã-Bretanha aproveitar a chance de obter paz com Hitler e formar uma aliança contra a Rússia Soviética. E se o rei e o país permitirem que a Alemanha nazista reine livre na Europa continental, a Grã-Bretanha será poupada.”

Os interrogadores não sabem se Hess está iludido ou louco. E sua chegada na Grã-Bretanha coincidiu com um dos piores ataques aéreos da Blitz, em que 1.200 pessoas morreram. Winston Churchill não está em clima de paz. A situação toda foi uma verdadeira catástrofe em todos os sentidos para Hess, para Hitler, Goebbels e todos da Alemanha nazista.

Dentro de toda essa bizarrice, Hess não se dá conta do ridículo de suas ações. Fica atarantado por não está acontecendo o que esperava. Essa situação provocada por Hess, serve de piada na Inglaterra e constrangimento na Alemanha. Deveria ser mais um sinal para a população alemã, um atentado contra seu líder em um momento e no outro a fuga do seu líder para o principal país inimigo. Mas a cobertura implacável dos meios de comunicação mentirosos de Goebbels, não dá chance de reflexão para a população. 


Publicado por Sióstio de Lapa em 31/01/2021 às 00h20
 
30/01/2021 00h20
CIRCULO DO MAL DE HITLER (59) – PLANOS DE HESS

            Interessante procurar saber como o mal pode se desenvolver e ameaçar todos os países do mundo. O que se passou na Alemanha Nazista sob o comando de Hitler e seus asseclas, abordado pela Netflix em uma série sob o título “Hitler’s circle of evil” serve como um bom campo para nossas reflexões.

            LIX

Quase três semanas após a rendição da França, a Luftwaffe de Göring lança um ataque sobre a Inglaterra, um prelúdio da invasão.

A batalha da Grã-Bretanha está próxima, mas ela causará uma virada no rumo da guerra. A batalha é travada acima das nuvens, mas é assim que termina.

Contrariando as expectativas, a Força Aérea Real resiste. E a Blitz, o bombardeio intensivo de cidades e indústrias em todo o país, não enfraquece a determinação britânica. Pela primeira vez, a máquina de guerra nazista não parece tão invencível. E isso revela uma grande falha de Göring, pois embora seja herói de guerra, ele nunca fez Escola de Comando e não sabe o que está fazendo militarmente como comandante da Luftwaffe. 

O fracasso de Göring em derrotar a Inglaterra pelo ar força uma pausa na invasão planejada. A reputação do comandante da Luftwaffe está bem manchada. A estrela dele pode estar se apagando.

Mas enquanto isso, Hess encontra nova determinação. Ele começa a bolar um plano secreto, uma chance de se redimir, com a ajuda de uma habilidade que aprendeu há muitos anos. Ele é um piloto experiente. Ele voou biplanos na Primeira Guerra Mundial. Agora, ele se familiariza com o protótipo do mais recente Messerschmitt, voando nele com o pretexto de testar a sua capacidade.

O 110 é geralmente ocupado por dois pilotos, mas Hess o modificou para voar sozinho. E colocou tanques extras de combustível para aumentar o alcance. Hess sabe que Hitler está se preparando para invadir a Rússia. E reconhece que a Alemanha não pode lutar uma guerra longa em duas frentes. Seu plano bizarro é agir pelas costas do Führer, voar até a Grã-Bretanha e se encontrar com um contato influente, que ele espera que o apresente a Winston Churchill. Seu objetivo era persuadir os britânicos a pedirem paz. Ele sabia que se conseguisse fazer a paz com a Inglaterra, isso agradaria a Hitler. “Pronto, Führer, consegui a paz com a Grã-Bretanha.” Pensava ele, e que isso significaria que ele imediatamente voltaria ao círculo íntimo.

AGOSTO DE 1936 – BERLIM 

O intermediário que Hess espera ter é alguém que ele conheceu cinco anos antes durante os jogos olímpicos na Alemanha. Nos bastidores, os líderes nazistas davam festas extravagantes a dignatários estrangeiros, e foi quando Hess provavelmente foi apresentado a um conhecido aristocrata escocês.

Parece que foi um desses banquetes que ele conheceu o duque de Hamilton, e eles criaram uma conexão que Hess viria a usar no futuro. Como Hess, o duque de Hamilton era um ótimo piloto. Na verdade, tornou-se um herói no mundo da aviação após ser a primeira pessoa a voar um biplano sobre o Monte Everest. Para Hess, esse arrojado aventureiro com título elegante deveria estar no centro do sistema britânico. Era alguém bem conectado, provavelmente relacionado à realeza, e que poderia ter ligação direta com a liderança britânica. Agora, cinco anos depois, Hess planeja reavivar essa conexão. Ele voará até o duque de Hamilton, na Escócia, e lhe pedirá para ser apresentado a Churchill. 

Então, encorajado por essas ideias de destino, Nostradamus e astrologia, Hess decide que tem uma última jogada a fazer, e se a fizer certo, terá a gratidão eterna não só de seu querido Führer, mas também do povo alemão.

No começo de maio, Hess visita o Führer na Chancelaria do Reich. Foi a última reunião deles. Hess nunca contou o que foi falado naquele dia, dando origem a uma teoria da conspiração de que Hitler talvez soubesse do plano. Mas isso seria verdade? Não há provas de que Hitler sabia do plano de Hess. Todas as provas existentes são de que Hitler ficou surpreso com tudo, então, está claro que Hitler não sabia que Hess planejava voar até a Escócia para tentar negociar a paz com a Inglaterra.

Seis dias após essa reunião, dá-se início ao episódio mais bizarro da Segunda Guerra Mundial. Rudolf Hess explica suas intenções a Hitler em uma carta. Ele sai de casa e diz a esposa Ilse que voltará em alguns dias.

Em 10 de maio, Hess faz sua última jogada. É o lance de um homem desesperado. Hess dirige até o aeródromo. Ele pede a seu secretário para entregar a carta nas mãos de Hitler no dia seguinte. Agora não tem mais volta.

A mente de Hess procura uma saída. Ele sabe que está dentro de um ninho de víboras e ele não tem tanta peçonha assim. Elaborou um plano baseado em perspectivas do passado 


Publicado por Sióstio de Lapa em 30/01/2021 às 00h20



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Imagem de cabeçalho: Sergiu Bacioiu/flickr