Meu Diário
20/06/2020 22h01
FRANCISCOS

            Nomes são apenas nomes ou têm por trás algum significado? Acredito que um nome é simplesmente um nome, mas o seu portador pode dar um significado maior ou menor, uma carga positiva ou negativa. Comparemos os nomes Jesus e Hitler. Ambos têm uma forte carga que deixaram seus nomes marcados, um positivo e outro negativamente. Os nomes marcados negativamente tendem a não se reproduzir na pia batismal, os marcados positivamente, sim. 

            Vejamos o nome Francisco. Era um nome comum até que, em Assis, cidade da Itália, o seu portador se destacou tanto no campo espiritual, em seguir os passos do Cristo, as suas marcas comportamentais, e chegou até a exibir as marcas físicas, os estigmas da crucificação. Seu comportamento influenciou o papa da época que permitiu que ele desenvolvesse o ministério franciscano, dando um novo alento à igreja católica, tão envolvida com os bens materiais, com o poder temporal, com o luxo e a ostentação.

            Seu exemplo de caridade atravessou os séculos, motivando tantas pessoas a colocarem o mesmo nome em seus filhos. Assim aconteceu no século 20 com uma família do interior de Minas Gerais que colocou o nome do seu filho de Francisco Cândido Xavier, conhecido entre nós por Chico Xavier. Um dos maiores médiuns que o mundo já viu. Viveu com simplicidade e humildade, praticando a caridade, até o fim dos seus dias. 

            Outro exemplo que sei bem os motivos, também a família colocou o nome de Francisco em seu filho. Era o primeiro a nascer, e por esse motivo entre outros, o parto sendo feito em casa e a passagem pelo canal do parto muito difícil, que resistia a todos esforços da parteira, não se via outra saída para salvar a vida de ambos, mãe e filho, a não ser um milagre. Era o dia 20 de outubro, mês do nascimento do santo de Assis, Francisco, reconhecido também por proporcionar milagres em nome de Jesus. Então, foi feito uma negociação com o santo em forma de promessa. Se a mãe conseguisse se salvar e o filho nascesse com vida, este seria oferecido ao santo, teria o nome de Francisco. Assim aconteceu, ambos foram salvos e a promessa foi cumprida.

            Na atualidade, este Francisco salvo pelo milagre, conheceu a história do que se passou e ficou agradecido pelo que aconteceu. Conheceu a vida, a história e o trabalho daquele Francisco de Minas Gerais e aprendeu com ele a realidade do mundo espiritual, da importância de Jesus como médium de Deus e governador do nosso planeta. Conhecendo essa realidade, não tinha como fugir da responsabilidade, de fazer a vontade de Deus, o nosso Pai, o Criador.

            Para concluir estas reflexões surge um novo Francisco. Dessa vez o nome foi escolhido por ele mesmo e não por seus pais. O cardeal da Argentina, Jorge Bergoglio, integrante das hostes franciscanas, ao ser eleito papa escolheu o nome de Francisco para conduzir a nação católica em todo o mundo.

            Aqui estou eu, depositário dos favores de Francisco de Assis, agradecido a Francisco Xavier por ter me passado tantos conhecimentos do mundo espiritual, me tirando da ignorância dessa realidade, e sob o carisma do Francisco sentado no Vaticano.

            Que faço eu, comparado a tão importantes personalidades, eu que tomei o nome como pagamento de um favor? Devo respeito e obediência primeiro a Deus, o senhor da vida, o Criador; segundo a Francisco de Assis, que tornou a vida possível neste mundo material; a Francisco Xavier pela vida exemplar e tanto trabalho de ensino e cura sem alimentar o egoísmo; finalmente o papa Francisco, renunciando a pompa e riqueza da igreja para mostrar ao mundo o exemplo da humildade, tolerância e compaixão.

            Fico envergonhado por não ter o que mostrar. Mas talvez seja este o caminho que o Pai queira que eu siga, mostrar aos irmãos a dificuldade, mas não a impossibilidade de seguir esses passos espirituais, reconhecendo o baixo nível em que ainda nos encontramos. Talvez seja este o meu papel: uma cobaia espiritual.


Publicado por Sióstio de Lapa em 20/06/2020 às 22h01
 
19/06/2020 23h59
VINHA DE LUZ 8 - MARCAS

            As marcas são importantes para distinguir um produto do outro, o trabalho de um fabricante, a qualidade objetiva ou subjetiva. Da mesma forma que usamos nossa criatividade para construir alguma marca com o que produzimos, também observamos as marcas externas para obter aquilo do nosso interesse.

Paulo dizia que: “Desde agora ninguém me moleste, porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus.” - Paulo. (Gálatas, 6:17.)

Todas as realizações humanas possuem marca própria. Casas, livros, artigos, medicamentos, tudo exibe um sinal de identificação aos olhos atentos. Se medida semelhante é aproveitada na lei de uso dos objetos transitórios, não se poderia subtrair o mesmo princípio, na catalogação de tudo o que se refira à vida eterna.

Jesus possui, igualmente, os sinais dEle. A imagem utilizada por Paulo de Tarso, em suas exortações aos gálatas, pode ser mais extensa. As marcas do Cristo não são apenas as da cruz, mas também as de sua atividade na experiência comum.

Em cada situação, podemos revelar uma demonstração do Divino Mestre. Jesus forneceu padrões educativos em todas as particularidades da sua passagem pelo mundo. O Evangelho no-lo apresenta nos mais diversos quadros, junto ao trabalho, à simplicidade, ao pecado, à pobreza, à alegria, à dor, a glorificação e ao martírio. Sua atitude, em cada posição da vida, assinalou um traço novo de conduta para os aprendizes.        Todos os dias, portanto, nós, discípulos podemos encontrar recursos de salientar nossas ações mais comuns com os registros, as marcas de Jesus.

Devo procurar ao término de cada dia, passar em revista minhas experiências. O que fiz de certo ou errado. Parece tão simples dizer dessa forma, comparar nossas marcas na Terra com as marcas do Cristo, ensinadas há 2.000 anos. Mas, na minha experiência, o que parece tão simples é na verdade muito raro. Quantas vezes eu fiz essa reflexão de comparar minhas marcas com as marcas do Cristo? Procuro lembrar e não encontro uma noite sequer. No entanto, ao fazer essa digressão ao digitar este texto e procurar referir meus deveres, coloco como um comportamento que devo fazer com frequência. Não é assim. Tenho que fazer esse esclarecimento para não cair na hipocrisia. Posso dizer que vou me esforçar para agir assim, a partir deste momento. Paro a digitação e reflito o que fiz durante o dia... 

Não foi difícil. Gastei menos de cinco minutos para passar em revista todo o meu dia. Não achei muita discrepância do meu comportamento comparado ao que o Cristo podia ter feito, no aspecto de não ter feito mal a ninguém. Porém, quando observo que as marcas do Cristo são fundamentalmente aquelas do sacrifício de si mesmo para o bem de todos, vejo que ainda estou bem distante. Ainda não deixei todos os meus bens de lado e segui as marcas do Cristo...


Publicado por Sióstio de Lapa em 19/06/2020 às 23h59
 
18/06/2020 23h51
UMA MORTE NA MÃO

            Existe um clamor, dentro de nossa cultura, quando uma pessoa morre. Por mais espiritualizada que seja, geralmente a pessoa se comporta como se aquele ente querido que teve o seu corpo colapsado, que vai se decompor e voltar à matéria de onde saiu, deixou de existir, foi perdido para sempre.

            O paradigma espiritualista que implica no mundo espiritual, onde os espíritos que animam e gerenciam os corpos se deslocam após a morte desses, não é respeitado como devia. Se a pessoa tem a compreensão que na realidade não morre, que seu espírito, o condutor da vida real, somente se desloca de um plano para outro, por que tanto desespero com essa passagem? 

            Confesso que recebo críticas por ter um comportamento de tranquilidade, de compreensão dessa passagem para o mundo espiritual, e até fico contente, quando a pessoa estava sofrendo com alguma doença, incurável, cujo destino final era a morte do corpo físico. Entendo que a pessoa ficou livre desse pesado encargo, do sofrimento gerado, e passou para uma dimensão, onde o espirito livre do peso carnal, não tem mais o sofrimento gerado pelo corpo. Numa situação dessa, qual seria o sentimento lógico? Tristeza ou alegria? Não uma alegria de ficar livre do ente querido, mas sabendo que ele conseguiu a libertação de um sofrimento inevitável, de uma doença, preso à carne e agora está numa situação de alívio, bem perto de Deus, se conseguiu obedecer sua lei, como Jesus ensinou.

            Aconteceu comigo, agora, recentemente, algo associado a morte, nas minhas mãos, fato até comum, na minha profissão de médico e professor, e fiz logo associação com tudo que escrevi acima.

            Estava acostumado com ela, caminhava com ela perto do coração. Tinha afeto por ela. Mas sabia que ela um dia não iria mais existir. Mas isso não me preocupava. Vivia o dia-a-dia com ela, aproveitando os bons e maus momentos, os pensamentos alegres e tristes. Fazíamos poesias, textos científicos, românticos... eu a abraçava com carinho, meus dedos gostavam de sentir o seu contorno liso. 

Comecei a perceber que ela estava cada vez mais ativa, como se tivesse gastando um pouco mais de sua energia. Em seguida essa energia acabou, de forma súbita, procurei faze-la ficar ativa, mas não consegui. Entendi que ela havia morrido, estava apenas com o seu corpo, inerte, sem mais função. Olhei por um momento tudo que havíamos feito juntos, com saudade, mas sem derramar lágrimas. 

Fechei os seus olhos com a tampa azul e a joguei na lata do lixo.

            Passei no mercadinho e comprei outra caneta Bic, novinha, cheia de energia, e começamos uma nova relação. 

Por quê ter medo da morte? 


Publicado por Sióstio de Lapa em 18/06/2020 às 23h51
 
17/06/2020 23h58
CORPO: INSTRUMENTO DO ESPÍRITO

            Reconhecendo o paradigma espiritual como o mais coerente e útil para alavancar o nosso processo evolutivo, que o nosso espírito precisa aprender os mais diversos aspectos da natureza para se aproximar do Criador, é interessante estudar quais os instrumentos colocados à nossa disposição para isso.

            Da mesma forma que um aluno vai para a escola e precisa dos instrumentos, livros e cadernos, etc., para alavancar sua aprendizagem, o espírito também precisa usar alguns instrumentos para sua educação. 

            O corpo físico é um dos principais instrumentos. Assemelhado a uma farda escolar que usamos no mundo material para frequentar a escola. Quando saímos do mundo espiritual e encarnamos no mundo material, esse corpo de carne é o nosso instrumento de aprendizagem, uma espécie de vestimenta, alguns chamam de escafandro, de tão pesado que é, comparada a fluidez do mundo espiritual.

            O corpo biológico, formado pelas leis da genética, recebe logo na fecundação a presença do espírito que vai implementando suas experiências de vivências anteriores na futura pessoa que virá à luz para se desenvolver e aprender. O corpo possui trilhões de células organizadas em diversos órgãos e sistemas, sendo o mais interessante do ponto de vista comportamental, o cérebro com seus bilhões de neurônios. As células assim organizadas desenvolvem forças intrínsecas denominadas como instintos, preparadas para garantir a sobrevivência e a reprodução de si mesmo. Esses instintos colocados pelo Criador dentro da organização biológica do corpo, é tão egoísta no seu procedimento que a própria Bíblia adverte sobre ele (Jó, 40:15-24) chamado de Behemoth, uma criatura tradicionalmente associada à um monstro gigante, podendo ser retratado como um Hipopótamo, apesar de alguns criacionistas o identificarem como um saurópode ou um touro gigante de três chifres.

            Toda força instintiva do corpo se manifesta no cérebro, na arena mental, onde existe também a manifestação do espírito. É aí que se processa o confronto, corpo x espírito; instinto x moral. A tendência natural é que prevaleça a força dos instintos, presentes desde o nascimento. A educação dos pais deve ser a primeira ação de podaçao desses instintos. A própria sociedade desenvolve leis para coibir a manifestação prevalente dos instintos. Apesar de tudo isso, a pessoa tende a burlar a educação e as leis e atender ao que pede seus instintos, seus desejos.

            Essa luta ferrenha da pessoa consciente dos seus deveres morais contra os desejos egoístas do corpo, é frequentemente relatado por personalidades como Francisco de Assis, Paulo de Tarso, Santo Agostinho, entre outros. Nós, que não tendo tanta vocação e determinação para vencer os instintos, mais compreendemos essa necessidade, estamos frequentemente lutando para nos manter no caminho reto, fazendo a reforma íntima a cada dia.

            Certamente que uma só encarnação num planeta como o nosso não é suficiente para corrigir tantas forças primitivas que existem na nossa arena mental. Mas conhecendo esses mecanismos, estamos mais reparados para a vitória.


Publicado por Sióstio de Lapa em 17/06/2020 às 23h58
 
16/06/2020 23h59
MATERIALISMO E ESPIRITUALISMO

            A compreensão dos materialistas é que nossa vida se restringe ao corpo físico e quando ele degenera e morre na velhice, termina nossa existência. O corpo volta a mãe natureza para ser engendrado novos corpos, tanto do reino vegetal quanto no animal.  

            Nós, espiritualistas, temos outra visão. O corpo é apenas um instrumento no qual opera o nosso espírito. Quando este degenera e morre, volta à natureza para ser reaproveitado, mas o espírito permanece vivo e se transfere para a dimensão espiritual, que não é percebida pelos nossos sentidos físicos, a não ser que a pessoa tenha algum dom, o qual chamamos de mediunidade. 

            O que nos garante que isso acontece assim? Os diversos fatos observados por tanta gente de todas as classes sociais ao redor do mundo e os trabalhos de natureza científica que afirmam a realidade do mundo espiritual e a comunicação intercambiável que existe, com a produção de milhares de livros, das mais belas histórias de cunho histórico, moral e científico. 

            O paradigma materialista tende a ceder espaço à força vinda da realidade espiritual. Observamos que os desejos da carne, os impulsos instintivos, tem o objetivo de garantir a sobrevivência e reprodução dos corpos. Mesmo assim necessita do controle, da gerência dessa entidade que chamamos de espírito. Caso isso não aconteça, o corpo absorve uma serie de exageros, em função do prazer que isso causa, o próximo é prejudicado e se perde a qualidade de vida. 

            Observamos que a aplicação dos paradigmas materialistas e espiritualistas pode ter resultados opostos no comportamento individual e nas consequências sociais. O materialismo favorece o egoísmo, a lei do mais forte, quer seja uma força política, financeira ou simplesmente física. Mesmo que o avanço da racionalidade justifique a prática dos valores éticos, seria a educação o condutor desse processo. Mas, os gestores públicos, contaminados pelo materialismo, podem boicotar essa educação para as massas, como acontece no Brasil e no mundo atual, onde representantes do povo, eleitos “democraticamente” e mesmo representantes de correntes espiritualistas, religiosas, praticam iniquidades, como corrupção massiva.

            O espiritualismo, praticado com honestidade, com o conhecimento da existência intercambiável dos dois mundos, material e espiritual, e que o nosso espírito precisa aprender a lidar com as leis morais associadas ao Criador, se torna mais eficaz em manter o nosso espírito na trilha do Caminho associado a Verdade e a Vida que o mestre Jesus já nos ensinava.

            Eis o momento que nos deparamos no ponto de vista da educação frente ao conhecimento e construção dos nossos paradigmas. Existe a visão materialista e a visão espiritualista, cada qual com seus argumentos. Cabe a cada pessoa que tenha oportunidade de fazer esse confronto, de decidir com racionalidade e lógica, qual visão melhor se adapta ao processo evolutivo que deseja para si e para seus semelhantes, para os seres vivos, para a natureza.    


Publicado por Sióstio de Lapa em 16/06/2020 às 23h59



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Imagem de cabeçalho: Sergiu Bacioiu/flickr