Meu Diário
26/12/2019 00h24
COINCIDÊNCIAS X DEUS

            Coincidências não existem, todos estamos nas mãos de Deus. Para aqueles que têm fé, esta é uma verdade. Tudo que acontece, a todo momento, em qualquer lugar, tem a mão de Deus como fonte original.

            Do ponto de vista materialista, rigoroso, Deus não existe e coincidências sim. A matéria tem um propósito evolutivo inerente, que não depende de ação divina e sim das leis que regem as diversas manifestações da energia, que pode ser tão condensada que gera a matéria e suas transformações. Portanto, se estudamos essas leis, vamos descobrir paulatinamente a verdade que a ciência nos traz, independente da graça de um Deus.

            Absorver um ou outro paradigma, vai depender muito da educação, das tendências inatas, biológicas ou espirituais, de cada um.

            Durante a primeira fase da minha vida, vivi dentro de um contexto religioso, espiritual. Aceitava com naturalidade e existência de Deus e dos santos, sem fazer qualquer questionamento. Porém, dentro da escola, a transmissão dos conhecimentos científicos chegava sempre divorciados da presença de Deus, esse Elemento não era necessário para a formulação das equações sofisticadas de explicação dos fenômenos.

            Com minha dedicação aos estudos e a constatação que a verdade sobre a natureza vinha através deles, passei a desenvolver ojeriza à pregação de pastores quando confrontava os dogmas religiosos com as descobertas e avanços da ciência e tecnologia.  Cheguei a sair da igreja, evangélica nesse momento, e fiquei ainda mais aliado da ciência, dentro do materialismo. Duvidava da existência de Deus.

            Passei algum tempo com essa mudança de paradigma, mas insatisfeito com minhas dúvidas, não cheguei a aceitar a posição dos materialistas radicais da inexistência de Deus. Eu sentia que existia algo mais que a ciência não conseguia me explicar e eu descobri também que a ciência cometeu muitos erros no passado e nada garantia que eu não estivesse dentro de alguns deles.

            Quando descobri a doutrina espírita, uma filosofia coerente com minhas dúvidas, que explicava muito do que antes eu não compreendia, voltei a colocar Deus dentro dos meus paradigmas de vida. O Livro dos Espíritos seguido das outras obras do quinteto kardequiano, trouxeram solidez ao meu pensamento, eliminando as dúvidas que eu possuía, principalmente quanto a existência de Deus.

            Hoje encontro em tudo a participação de Deus em minha vida, não quer dizer que Ele esteja me conduzindo como uma marionete. Não é assim, simplesmente eu vejo em tudo a mão dEle me oferecendo opções dentro das minhas convicções e que depende de mim, do meu livre arbítrio, segui-las ou não. Para mim as coincidências não existem, se algo acontece e que necessito para reforçar minha compreensão ou ações, não é o acaso que me trouxe, e sim o Pai que está sempre vigilante nos meus débeis passos no caminho evolutivo que tenho que percorrer para chegar mais próximo dEle.


Publicado por Sióstio de Lapa em 26/12/2019 às 00h24
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25/12/2019 00h24
UM SIGNIFICADO PARA O NATAL

            Podemos ter vários significados para o Natal, de acordo com a religião, profissão e o paradigma de vida. O meu significado aborda a religião, mais o significado que tenho construído ao longo da minha experiência em vários tipos de estudos. Não significa que este ponto de vista que defendo seja algo definitivo, incapaz de ser alterado. A qualquer momento posso reformar meu pensamento e fazer outra narrativa. Neste momento esta é a narrativa que tenho quanto o Natal.

            Deus construiu tudo que existe no mundo. Nos construiu com a capacidade de raciocinar e evoluir de forma lenta dentro dos princípios morais. Acontece que os animais, onde estamos classificados, têm um forte egoísmo que direciona seu comportamento para tudo que o beneficia ou os seus parentes e amigos mais próximos, seguindo esta ordem hierárquica. Essa forma de relacionamento termina por privilegiar a lei do mais forte, o mal passa a prevalecer na sociedade. Até a vida, o bem mais precioso que possuímos não era considerada com o devido respeito. Os romanos, sociedade mais civilizada e poderosa do seu tempo, organizava os espetáculos circenses onde os gladiadores eram invariavelmente mortos sob a aclamação da plateia.

            Observando Deus, que os homens não iriam sair dessa situação sem uma ajuda externa, convocou Jesus, a sua criatura mais evoluída, para assumir a missão de vir à Terra ensinar o amor. Em 25 de dezembro ele veio à luz, e chegou a mudar o calendário, contando os homens os anos para antes ou depois de sua vinda.

            Tudo isso foi possível, todo esse reconhecimento, pela tamanha consideração devido o trabalho feito por Jesus. Com toda a dificuldade de pessoa pobre, tendo que trabalhar para manter a subsistência e ajuda na economia doméstica, somente ao atingir os 30 anos ele entrou em posse da sua missão, desenvolvendo-a durante 3 anos, preparando a fundo 12 pessoas para seguirem no estudo quando ele não estivesse mais entre nós.

            Foi o trabalho dessas 12 pessoas, acrescido do trabalho de Paulo de Tarso, que extrapolou os muros da Judéia e se espalhou pelo mundo, chegando ao Brasil e dando a conhecer as lições do Mestre.

            Como seu ensinamento foi baseado no Amor Incondicional, construiu um forte antagonismo sobre o egoísmo que campeava em todas as áreas. Mesmo sendo conduzido por pessoas imperfeitas, que distorciam as lições e provocavam até o contrário do que era ensinado, mesmo assim a essência do amor terminava por surgir aqui e ali e os abusos terminavam sendo coibidos, de alguma forma, mesmo que não na totalidade.

            Estamos há 2.000 anos de suas lições do amor, mesmo assim o mal ainda prevalece na nossa sociedade, em todas as latitudes, nas suas diversas formas. Apesar disso tudo, uma consciência cada vez maior nos leva a maior racionalização, de que Jesus é o governador da Terra dentro de uma guerra espiritual e que podemos nos engajar nessa missão..


Publicado por Sióstio de Lapa em 25/12/2019 às 00h24
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24/12/2019 00h22
O DRAGÃO E OS CÃES – PARÁBOLA MODERNA

            Certo fazendeiro convivia pacificamente com seus cães na administração da fazenda. Com o tempo, contaminado pelo egoísmo, deixou de ser bondoso e justo com seus animais. Explorava em demasia a ordenha das vacas, o trabalho dos cavalos, a carne das aves... Mantinha a fazenda sob a proteção dos cães que tinham sido adestrados para proteger a área de qualquer ameaça externa. Acontece que alguns animais mais insatisfeitos começaram a importunar o fazendeiro com protestos e quebra na produção. Ouviram falar que existia um dragão do outro lado do mundo que proporcionava à força os bens que todos sonhavam possuir, e passaram a evocar o espírito desse dragão, que viesse destruir o fazendeiro e assumir a administração da fazenda. Outros animais mais ponderados, racionais e espiritualizados, que constituíam a maioria na fazenda, sentiram o perigo que havia nessa evocação, que o fazendeiro já estava sendo possuído pela alma do dragão, e foram em romaria pelas veredas da fazenda pedir as cães que protegessem a harmonia que existia, que não deixassem o dragão monopolizar tudo, e que o fazendeiro já estava possuído.

            Os cães entraram em conflito. Foram adestrados para obedecerem ao fazendeiro. Por outro lado, também foram adestrados para defender a fazenda, representada por todos os animais. Sentiram, enfim, que a fazenda corria risco, pois onde o dragão passava a administrar ocorria muita morte e perda da liberdade. Os cães resolveram afastar o fazendeiro obcecado e garantiu com a força do adestramento a manutenção da lei e da ordem como foram ensinados. Os animais revoltosos continuaram a lutar na clandestinidade e com violência pela vinda do dragão.

            Enquanto os cães garantiram a segurança da fazenda, o dragão não se aproximou. Foi um período de prosperidade para a fazenda, mesmo com os animais agitados fazendo o maior barulho e más insinuações com tudo o que acontecia. Foi destruindo sistematicamente com violência e falsas narrativas toda a moral dos cães, ingênuos em suas boas intenções. Chegou a um ponto que na fazenda só se ouvia o grito de protestos dos exaltados evocadores do dragão, e com isso cooptavam estudantes, professores, juristas e até eclesiásticos menos esclarecidos na verdade.

            Os cães resolveram entregar a gerência da fazenda aos novos fazendeiros que se digladiavam para assumir o poder central, com a bandeira do dragão, e assumindo o mando sobre os cães.

            Será que isso dará certo?


Publicado por Sióstio de Lapa em 24/12/2019 às 00h22
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23/12/2019 00h22
QUANDO DORMES

Quando o sono da noite deixa o corpo

Embrulhado nos lençóis alvos da cama

Parece não ter vida, estar morto

Parece não ter alma, não ter chama.

 

Porém, agora, quando estás em pleno sono

Que tua vida é mais viva do que antes

E a verdade diz com certeza o que somos

Procurando no astral nossos amantes

 

Ah, quem me dera disso tudo me lembrar

Do teu perfume, teu afago, teu abraço

Do teu olhar sem ter medo de embaraço

 

Ah, quem me dera ter certeza ao acordar

Que irei sempre, sempre ter contigo

Pois quando dormes tu vens logo ter comigo.


Publicado por Sióstio de Lapa em 23/12/2019 às 00h22
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22/12/2019 03h02
O HERDEIRO LEGÍTIMO

            Encontrei um conto talmúdico que evoca a sabedoria. Confesso que não atinei onde esta tal sabedoria quando o problema foi colocado. Como atenuante da minha bobeira, quando o sábio começou a explicar ao herdeiro a sabedoria do pai que havia feito o testamento tão doloroso e sábio ao mesmo tempo, foi atinei para tal sabedoria. Vejamos o conto e que sirva de exercício também aos meus leitores.

O herdeiro legítimo

Um israelita rico, que vivia em sua bela propriedade muito longe de Jerusalém, tinha um filho único, que mandou para a Cidade Santa para se educar. Durante a ausência do jovem, o pai adoeceu repentinamente. Vendo a morte aproximar-se, fez seu testamento pelo qual instituiu universal herdeiro um escravo, com a cláusula que a seu filho seria permitido escolher da rica propriedade uma coisa que ele quisesse. Assim que o patrão morreu, o escravo, exaltando de alegria, correu a Jerusalém para informar o filho do que se tinha passado, e mostrar-lhe o testamento. O jovem israelita ficou possuído do maior desgosto. Ao ouvir essa notícia inesperada rasgou o fato, pôs cinzas na cabeça, e chorou a morte do pai, que amava ternamente, e cuja memória ainda respeitava. Quando os primeiros arrebatamentos de sua dor tinham passado e os dias de luto acabaram, o jovem

encarou seriamente a situação em que se encontrava. Nascido na opulência, e criado na expectativa de receber, pela morte do pai, as propriedades a que tinha tanto direito, viu ou imaginou ver as suas esperanças perdidas, e as suas perspectivas mundanas malogradas. Nesse estado de espírito, foi ter com seu professor, um homem afamado pela sua piedade e sabedoria, deu-lhe a conhecer a causa da sua aflição, e o fez ler o testamento; e na amargura do seu desgosto, atreveu-se a desabafar os seus pensamentos — que o pai, fazendo tal testamento, e dispondo tão singularmente dos seus bens, não tinha mostrado bom senso, nem amizade pelo seu filho único.

— Não digas nada contra teu pai, meu jovem amigo — declarou o piedoso instrutor. — Teu pai era ao mesmo tempo um homem dotado de grande sabedoria e a ti, especialmente, de uma dedicação sem limites. A prova mais evidente é esse admirável testamento.

— Esse testamento! — exclamou o jovem torcendo os lábios em expressão de amargura —, esse deplorável testamento! Convencido estou, ó rabi —, de que não aprecias o caso com discernimento de homem esclarecido. Praticou meu pai uma indignidade. Não vejo sabedoria em conferir os seus bens a um escravo, nem amizade em despojar o filho único dos seus direitos legítimos.

— Teu pai nada disso fez — rebateu com segurança o mestre —, mas como pai justo e afetuoso garantiu-te, nos termos desse testamento, a propriedade plena de tudo, se tiveres o bom senso de interpretar com acerto as cláusulas testamentais.

— Como? Como? — exclamou o jovem com o maior espanto. — Como é isso? Cabe-me a propriedade integral? Na verdade, não compreendo.

— Escuta, então — acudiu o rabi. — Escuta, meu filho, e terás motivo para admirar a prudência do teu pai. Quando viu teu bondoso pai a morte aproximar-se, e certo de que teria de seguir o caminho que todos seguem mais cedo ou mais tarde, pensou de si para consigo: Hei de morrer; o meu filho está longe demais para tomar posse imediata de minha propriedade; os meus escravos, assim que se certificarem de minha morte, saquearão a minha casa, e para evitar serem descobertos, hão de esconder a minha morte a meu querido filho, e assim privá-lo até do triste consolo de chorar por mim. Para evitar essa primeira coisa, deixou a propriedade a um escravo, que decerto teria o maior interesse em tomar conta dela. Para evitar a segunda, estabeleceu a condição que poderias escolher qualquer coisa dessa propriedade. O escravo, pensou ele, para assegurar o seu aparentemente legítimo direito, não deixaria de te informar, como de fato fez, do que acontecera.

— Mas então — teimou o jovem um pouco impaciente —, que proveito tirarei de tudo isso? Qual é a vantagem que poderá resultar para mim? O escravo não me restituirá, com certeza, a propriedade de que injustamente fui despojado!

— Ah! — respondeu o bom velho —, vejo que a sabedoria pertence aos velhos. Sabes que tudo quanto um escravo possui pertence ao seu dono legítimo? E teu pai não te deu a faculdade de escolher dos seus bens qualquer coisa que quisesses? O que te impede de escolher aquele próprio escravo como a parte que te pertence? E possuindo-o, terás direito à propriedade toda. Sem dúvida era essa a intenção de teu pai.

O jovem israelita, admirando a prudência e a sabedoria do pai, tanto como a argúcia e a ciência de seu mestre, aprovou a ideia. Nos termos do testamento, escolheu o escravo como a sua parte, e tomou posse imediata de toda a herança. Depois disso, concedeu liberdade ao tal escravo, que foi, além disso, agraciado com rico presente.


Publicado por Sióstio de Lapa em 22/12/2019 às 03h02
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Imagem de cabeçalho: Sergiu Bacioiu/flickr