Meu Diário
24/12/2021 10h15
PRESENTE DE ANIVERSÁRIO

            Amanhã é o aniversário do meu Mestre, que espero ser um dia o Mestre de todos os meus irmãos, criados neste planeta pelo mesmo Pai.



            Como é costume, sempre procuramos levar algum presente ao aniversariante nesse dia. Não sou muito de atender os apelos da cultura sem passar pelo crivo da minha consciência e aproveitar para praticar a justiça que o Pai espera de todos nós.



            O Mestre não tem o desejo de receber presentes materiais, apesar de ter recebido ouro, incenso e mirra por ocasião do seu nascimento, por três reis do oriente. O que sinto que ele deseja receber é uma prova de que eu, seu aluno, aprendi a lição que ele deu e estou tentando colocar em prática.



            Sei que Ele veio advertir sobre a existência do Pai e que Ele espera que todos nós possamos cumprir a Sua vontade, aplicando a misericórdia e a justiça, onde for conveniente, dentro dos nossos relacionamentos.



            Sei que fui colocado num mundo de provas e expiações, onde são enviados para aprender, pagar ou ensinar tudo que se refere a lei de Deus, e nós, por ignorância, estamos sempre a transgredir, naquilo que chamamos de pecados, de erros.



            Sei que assumi um corpo de carne, de característica animal, cheios de instintos de natureza egoísta que procura a melhor forma de sobreviver, no conforto e na segurança, mesmo que seja a custas do desconforto e insegurança do próximo.



            Sei que meu espírito está mais sintonizado com a lei de Deus, que procura evitar que os instintos animais tragam prejuízos, tanto sobre o meu comportamento prejudicando os outros, quanto sobre os outros prejudicando a minha carne, o meu espirito.



            Para isso o Mestre veio nos advertir, que estamos sempre atacados por essas forças instintivas que se organizam no mal elaborado e inteligente, desviando a vontade de Deus de tanta pessoas, inclusive as que já tiveram contato com as lições do Mestre.



            O Mestre avisa sempre para orar e vigiar. São lições básicas para caminhar nesse mundo ainda cheio, na maioria, de pessoas associadas ao mal. Não tenho sido bem aplicado nessas duas lições, estou por isso mesmo, sempre caindo nas armadilhas do mal, trazendo prejuízos a minha evolução material e com repercussões no espiritual, pois me faz sentir falho naquilo que o Pai me concedeu como forma de fazer melhor a Sua vontade.



            Sei que as lições do Mestre me ajudaram a ser firme na convicção de fazer a vontade do Pai, mesmo que eu seja atingido pelos ataques do mal. Fico muito agradecido por reconhecer o esforço que Ele fez para vir até nós e trazer suas lições. Por isso, nesse dia que comemoramos o seus aniversário, quero mostrar o meu reconhecimento de alguma forma.



            Irei meditar e me colocar empaticamente em seu lugar. O que eu gostaria de receber em meu aniversário, como presente de meus alunos para os quais eu tanto me dediquei e paguei com a dor física e até com a morte de forma humilhante em uma cruz ao lado de dois ladrões?  



Publicado por Sióstio de Lapa em 24/12/2021 às 10h15
 
23/12/2021 00h01
SAUDADE

            Esta é a terceira e última composição que programei refletir neste espaço. A primeira foi O Ébrio, refletindo a condição do amor x apego. A segunda foi Coração Materno, refletindo a condição do amor incondicional x paixão. Esta última fala da Saudade, um sentimento comum a todos nós e que é interessante refletir sobre ele na composição do cantor.



Saudade



Saudade, palavra doce



E traz-nos tanto amargor



Saudade é como se fosse



Espinho cheirando a flor



É uma palavra breve



Mas tão longa de sentir



E a gente que a escreve



Sem a saber traduzir



            O sentimento da saudade permite esses antagonismos, doce-amargo, perfume-dor, breve-longa. Quanto mais forte a saudade, mais forte os antagonismos. Mas podemos experimentar mais o lado positivo dos antagonismos. Sentir mais a doçura do bem-querido na imaginação do que o amargo da ausência; aproveitar o máximo do perfume que essa lembrança nos traz, sem deixar que o espinho se crave demais no coração; por mais que seja longa a distância que nos separe, aproveitemos a brevidade que a lembrança nos traz. Mesmo que eu não consiga traduzir com perfeição a palavra, tenho o sentimento forte de que saudade é o amor que fica depois que a amada vai embora.



Um desejo de estar perto



De quem longe está de nós



Um ai que não sei ao certo



Se é um suspiro ou se é uma voz



Um sorriso de tristeza



Um soluço de alegria



Suplício da incerteza



Esperança que alivia



            Este desejo de estar perto de quem sentimos saudade pode ser realizado pela imaginação. Pode trazer sentimentos negativos por ser percebido que essa presença se realiza na imaginação, não é uma realidade dentro da materialidade. Mas, o mundo real é aquele percebido por nossa mente, não importa que tenha ou não um respaldo material. Isso é demonstrado por meus pacientes psicóticos, que vivem dentro de uma realidade que só pertence a eles, que podem ser felizes ou tristes em função disso. Assim, podemos usar essa estratégia, trazer em nossa imaginação a pessoa amada e com ela aproveitar a alegria e o prazer que isso nos traz, mesmo que tenha por trás um pouco de tristeza, por saber que ela não está partilhando conosco, neste momento, o mesmo prazer que sinto. Mas ela pode fazer o mesmo.



Saudade é suspiro, é ânsia



Vontade da gente ver



A quem nos vê à distância



Com olhos de bem querer



A saudade é calculada



Por algarismos também



Distância multiplicada



Pelo fator querer bem



Saudade é tristeza, é tédio



Que enche os olhos de ardor



Saudade, dor que é remédio



Remédio que aumenta a dor



A palavra é bem pequena



Mas diz tanto de uma vez



Por ela valeu a pena



Inventar-se o português



            O autor coloca em destaque toda carga de sentimentos negativos que podem surgir na saudade, mesmo assim, nossa vida seria insípida se ela não existisse. Tantas coisas, tantas pessoas que aprendemos a gostar e que o tempo, as circunstâncias de vida nos distanciam, mesmo sem desaparecer o amor, que por definição é eterno. Se não fosse a saudade, que é o amor que fica quando este ser amado vai para longe, nossa vida seria bem pobre do amor. pois somente aqueles amores circunstanciais não seriam suficientes para atender as necessidades do nosso coração. Porém, bendita saudade, com toda carga de sofrimentos que ela possa trazer por inabilidade nossa de a sentir.



Publicado por Sióstio de Lapa em 23/12/2021 às 00h01
 
22/12/2021 00h01
CORAÇÃO MATERNO

            Esta é a segunda composição do cantor Vicente Celestino que resolvi fazer a reflexão neste espaço. Na primeira, O Ébrio, fiz a reflexão sobre o amor que é denunciado e do apego que é observado, levando à destruição do autor. Nesta composição é feita a sinalização do Amor verdadeiro, incondicional, para sentir-se a diferença do outro, também chamado amor, mas irracional, que chega até a violência, o limite da loucura.



Coração Materno



Disse um campônio à sua amada



Minha idolatrada, diga o que quer?



Por ti vou matar, vou roubar



Embora tristezas me causes mulher



Provar quero eu que te quero



Venero teus olhos, teu porte, teu ser



Mas diga, tua ordem espero



Por ti não importa matar ou morrer



            Esta forte emoção está presente na paixão. É uma energia que preenche a mente de quem a sente, que exige ser feito tudo que traga benefício ao objeto da paixão, mesmo passando por cima da ética, do respeito e de qualquer outra condição. O espírito que gerencia o corpo, é quem deve dominar essa força instintiva, associada ao Behemoth bíblico, e não procurar fazer mal a ninguém, nem a terceiros e muito menos a pessoa que evocou a paixão. Esta é a mais forte prova de autodomínio do espírito sobre o corpo. Nesta canção o autor coloca na fala do campônio toda essa energia que domina a sua mente, preparada para fazer tudo para contentar por quem estar apaixonado. Até matar ou morrer, quem quer que seja, em qualquer local ou horário. Este é o domínio total do Behemoth, sem nenhum freio do espírito.



Ela disse ao campônio, a brincar



Se é verdade tua louca paixão



Parte já e pra mim vá buscar



De tua mãe inteiro o coração



A correr o campônio partiu



Como um raio na estrada e sumiu



Sua amada qual louca ficou



A chorar na estrada tombou



            A moça não compreendia a força dessa paixão e imaginava que tudo que era dito, era apenas exagero de um sentimento que ele sentia. Imaginava que pedindo algo tão sério, como o coração da mãe, esse pedido jamais seria atendido. Ela não imaginava que o espírito do campônio estava embriagado de tanta energia da paixão e quem estava no controle era o Behemoth, que nenhum escrúpulo possui para alcançar os seus desejos, usufruir dos prazeres que imagina. Quando ela percebe com quem havia falado, e que a fera já tinha partido para cumprir o seu pedido que para ele era uma ordem, ficou desesperada, pois antecipou que seria o pivô involuntário de uma tragédia macabra.



Chega à choupana o campônio



E encontra a mãezinha ajoelhada a rezar



Rasga-lhe o peito o demônio



Tombando a velhinha aos pés do altar



Tira do peito sangrando



Da velha mãezinha o pobre coração



E volta a correr proclamando



Vitória! Vitória! Tem minha paixão



Mas em meio da estrada caiu



E na queda uma perna partiu



À distância saltou-lhe da mão



Sobre a terra o pobre coração



Nesse instante uma voz ecoou



Magoou-se, pobre filho meu?



Vem buscar-me filho, aqui estou



Vem buscar-me que ainda sou teu!



            Este é o clímax da história, mostrando a força do Amor incondicional, que continua amando ao criminoso que mata e rouba o coração. É parecido com o Amor que Cristo demonstra do alto da cruz, perdoando aos seus algozes, pois eles não sabem o que fazem. Neste caso do Cristo, o Amor é anda mais puro, pois esses algozes não são seus parentes. No caso do campônio, o Amor que é demonstrado pela mãe ao assassino, tem o viés que ele é seu filho. Será que sendo outra pessoa, ela teria agido assim, tentando ajudar em seus propósitos? Esta é a grande lição de Cristo, amar a cada pessoa incondicionalmente, formando a família universal, onde a atitude para com qualquer pessoa, pode ser semelhante aquela que teríamos com um filho biológico.



Publicado por Sióstio de Lapa em 22/12/2021 às 00h01
 
21/12/2021 00h01
O ÉBRIO

            A vida mostra para todos nós um caleidoscópio de situações das quais podemos tirar, em cada uma delas, lições para nossa própria vida. Por acaso (?) encontrei na internet uma canção que sempre escuto e que sempre me emociono. Fui ver a letra no site e me deparei com outras canções do mesmo compositor, Vicente Celestino. Achei interessante pinçar as três primeiras e fazer a reflexão dos conteúdos. A primeira é O Ébrio.



            Antes de mostrar a letra o site mostrava um pouco da vida do compositor.



Nasci artista. Fui cantor. Ainda pequeno levaram-me para uma escola de canto. O meu nome, pouco a pouco, foi crescendo, crescendo, até chegar aos píncaros da glória. Durante a minha trajetória artística tive vários amores. Todas elas juravam-me amor eterno, mas acabavam fugindo com outros deixando-me a saudade e a dor. Uma noite, quando eu cantava a Tosca, uma jovem da primeira fila atirou-me uma flor. Essa jovem veio a ser mais tarde a minha legítima esposa. Um dia, quando eu cantava A Força do Destino, ela fugiu com outro, deixando-me uma carta, e na carta um adeus. Não pude mais cantar. Mais tarde, lembrei-me que ela, contudo, me havia deixado um pedacinho de seu eu: A minha filha. Uma pequenina boneca de carne que eu tinha o dever de educar. Voltei novamente a cantar, mas só por amor à minha filha. Eduquei-a, fez-se moça, bonita. E uma noite, quando eu cantava ainda mais uma vez A Força do Destino, Deus levou a minha filha para nunca mais voltar. Daí pra cá eu fui caindo, caindo... Passando dos teatros de alta categoria para os de mais baixa. Até que acabei por levar uma vaia cantando em pleno picadeiro de um circo. Nunca mais fui nada. Nada, não! Hoje, porque bebo a fim de esquecer a minha desventura, chamam-me ébrio.



            Não sei se a história é real, mas o objetivo aqui é mostrar o que o caleidoscópio da vida pode nos oferecer, e mesmo esse texto sendo uma ficção, não pode deixar de mostrar uma faceta que a vida pode nos oferecer. Portanto, nossa sensibilidade torna-se empática com o sofrimento de cada ser humano que trilha os caminhos diversos que a vida nos oferece.



Ébrio



Tornei-me um ébrio na bebida, busco esquecer



Aquela ingrata que eu amava e que me abandonou



Apedrejado pelas ruas vivo a sofrer



Não tenho lar e nem parentes, tudo terminou



Só nas tabernas é que encontro meu abrigo



Cada colega de infortúnio é um grande amigo



Que embora tenham, como eu, seus sofrimentos



Me aconselham e aliviam os meus tormentos



            Esta é uma prova da confusão que se faz do amor com o apego. A mulher que ele diz amar, pelo comportamento que demonstrou, é um forte apego. Se fosse amor, teria aceitado a ida da mulher com outro com o qual ela se sentia mais feliz. Continuaria a amando à distância e sua vida teria continuidade sem tanta destruição interna.



Já fui feliz e recebido com nobreza até



Nadava em ouro e tinha alcova de cetim



E a cada passo um grande amigo que depunha fé



E nos parentes... Confiava, sim!



E hoje ao ver-me na miséria, tudo vejo então



O falso lar que amava e que a chorar deixei



Cada parente, cada amigo, era um ladrão



Me abandonaram e roubaram o que amei.



            Este é outro aspecto da condição humana que não devemos esquecer. Quando estamos em situação propícia, com bens e recursos que podemos compartilhar, é grande o número de parentes e amigos que orbitam sobre nós. Quando essas condições favoráveis desaparecem e a pessoa agora, em vez de ser solidária com as outras, as outra é que precisam demonstrar solidariedade, parentes e amigos se distanciam até o abandono total, como o cantou denuncia. Procuremos fazer o bem, ser solidários em tudo que o amor incondicional nos apontar, mas jamais esperemos ser da mesma forma retribuídos, se alguma fatalidade nos atingir.



Falsos amigos, eu vos peço, imploro a chorar



Quando eu morrer, à minha campa nenhuma inscrição



Deixai que os vermes pouco a pouco venham terminar



Este ébrio triste, este triste coração



Quero somente que na campa em que eu repousar



Os ébrios loucos como eu venham depositar



Os seus segredos ao meu derradeiro abrigo



E suas lágrimas de dor ao peito amigo



            Belíssimo este final! Não quer ser lembrando num inscrição feita numa campa fria, basta o que ele nos ensina com suas canções. O que tanto foi consolado em seus dias de sofrimento, intoxicado pelo álcool como forma de anestésico, sentia apenas nas falas daqueles que sofriam e ficavam loucos como ele. Mesmo não tendo mais nada de material que possa interessar a herdeiros, a alguém, ele permite que na sua campa mortuária, cujos sentidos não mais funcionam, que aqueles loucos tão fraternos com ele, venham depositar suas lágrimas de dor no recipiente inerte de quem tanto sabia o que era isso.



Publicado por Sióstio de Lapa em 21/12/2021 às 00h01
 
20/12/2021 00h01
QUERIGMA

            Querigma significa pregação, palavra grega que designa a proclamação central do cristianismo. A proclamação de Jesus, morto e ressuscitado, que apareceu a testemunhas qualificadas, e proclamado Cristo, Senhor e Salvador por sua ressurreição. As formulações deste querigma são mais ou menos longas, nunca totalmente fixadas. A mais desenvolvida se encontra em 1Coríntios 15, quando Paulo escreve sobre a ressurreição de Cristo.



1Irmãos, quero lembrá-los do evangelho que preguei a vocês, o qual vocês receberam e no qual estão firmes. 



2Por meio deste evangelho vocês são salvos, desde que se apeguem firmemente à palavra que preguei; caso contrário, vocês têm crido em vão. 



3Pois o que primeiramente lhes transmiti foi o que recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, 



4foi sepultado e ressuscitou no terceiro dia, segundo as Escrituras, 



5e apareceu a Pedro e depois aos Doze. 



6Depois disso apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, a maioria dos quais ainda vive, embora alguns já tenham adormecido. 



7Depois apareceu a Tiago e, então, a todos os apóstolos; 



8depois destes apareceu também a mim, como a um que nasceu fora de tempo. 



9Pois sou o menor dos apóstolos e nem sequer mereço ser chamado apóstolo, porque persegui a igreja de Deus. 



10Mas, pela graça de Deus, sou o que sou, e sua graça para comigo não foi inútil; antes, trabalhei mais do que todos eles; contudo, não eu, mas a graça de Deus comigo. 



11Portanto, quer tenha sido eu, quer tenham sido eles, é isso que pregamos, e é nisso que vocês creram.



            Podemos entender o papel de Cristo por dois ângulos: o primeiro, seu comportamento, ensinando, profetizando e curando dizendo ser o filho de Deus; o segundo, ressuscitado, provando uma nova faceta para a morte, que não consegue destruir a consciência da pessoa, que o espírito que sobrevive é dessa forma imortal.



            Os dois momentos de Cristo entre nós, no corpo físico e ressuscitado, ambos comprovados por várias testemunhas dignas de crédito, podem ser acoplados numa só perspectiva, coerente com o que Ele dizia: ser o filho mais próximo de Deus, a tal ponto de fazer a Sua vontade de forma integral, mostrando que ele fazia o mesmo que Deus faria, portanto, quem o via estava vendo Deus.



            Nós, que estamos vivendo 2000 anos após a sua passagem material no planeta, não temos condições de testemunhar da mesma forma esses fatos. Mas, como acontece com tantas outras coisas do nosso cotidiano, devemos aceitar essas informações como verdadeiras, mesmo não estando ao alcance dos nossos sentidos físicos, porém obedecem aos critérios da lógica e coerência.



Publicado por Sióstio de Lapa em 20/12/2021 às 00h01



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Imagem de cabeçalho: Sergiu Bacioiu/flickr