Meu Diário
09/01/2020 00h07
DEUS APOIARÁ

            Quando nos conscientizamos da importância de fazer o Bem, a primeira ação que tomamos é de nos reunir com pessoas que têm as mesmas intenções. Agora, precisaremos de apoio para que esse projeto siga adiante. Quem apoiará?

            Deus jamais faltará apoio a toda obra fundamentada na realização do Bem, no Amor, pois essa é a Sua essência.

            As reuniões que criei tanto em Natal como em Ceará-Mirim, assim como em qualquer lugar, ou que participo como integrante seja em qualquer instituição, sempre mantenho o foco no Bem, no exercício que ainda sou forçado a fazer, do Amor Incondicional. Sinto que Deus fica “contente” ao ver a produção dos bons frutos que surgem a partir daí.

            Deus só deixará de apoiar qualquer grupo ou sociedade, ou mesmo o indivíduo, se houver o esquecimento dos princípios da caridade (amor) e fraternidade. Pois com esse esquecimento se perde a característica de relacionamentos entre verdadeiros irmãos. Passamos a ver as pessoas com maus olhos, atiramos pedras, ou procuramos denegri-las sob um pretexto qualquer.

            A caridade e a fraternidade se reconhecem por suas obras, e não por palavras. É uma medida de apreciação que não enganará senão os que se cegam quanto ao seu próprio mérito, que têm interesses escusos às escondidas, mas não a terceiros desinteressados. É a pedra de toque, pela qual se reconhece a sinceridade de sentimentos.

            No caminho para Deus, quando se fala de caridade, não se trata apenas daqueles que dão, mas também, e principalmente, dos que esquecem e perdoam as ofensas, que são benevolentes e indulgentes com as falhas dos outros, que repudiam todos os sentimentos de ciúme e de rancor.

            Toda reunião fraterna que não se estabeleça sobre o princípio da verdadeira caridade, será mais prejudicial do que útil, porque tenderá a dividir em vez de unir. Trará em si mesma um elemento destruidor.

            Assim, a simpatia de Deus será sempre conquistada por todos que provarem, por seus atos, a natureza boa que os anima, porque as pessoas boas não podem inspirar senão o Bem.


Publicado por Sióstio de Lapa em 09/01/2020 às 00h07
 
08/01/2020 00h06
VONTADE DE DEUS

            A série “Messiah” que passa na Netflix, traz em seu 4º episódio, temporada 1, um diálogo interessante que se passa na detenção, onde o preso se encontra algemado. O diálogo é entre aquele que é considerado o Messias e a agente da CIA, Eva, que anda investigando os seus passos, e que merece reproduzirmos para nossa reflexão.

            E – Olá.

            M – Olá.

            E – Está sendo bem tratado?

            M – Sim, obrigado. Você quer perguntar algo?

            E – Não, só quero conversar. Sou o que você pode chamar de seguidora, porque tenho seguido você. Síria, Israel, Jordânia, México.

            M – Você é da CIA.

            E – Você passeia bastante.

            M – É da natureza da minha obra.

            E – E que obra é essa?

            M – A obra de Deus.

            E – E Deus quer você aqui? Em um centro de detenção do Texas?

            M – Por enquanto.

            E – Está planejando outra fuga?

            M – Não depende de mim.

            E – Deve ser reconfortante saber que o que quer que faça é a vontade de Deus.

            M – Pelo contrário. É uma grande responsabilidade. Ele não pede coisas fáceis.

            E – Responsabilidade? Sente-se responsável pelas centenas de mulheres e crianças que levou à fronteira de um país que nunca as deixará entrar?

            M – Não podemos questionar a vontade de Deus.

            E – Não estou questionando a de Deus. Estou questionando a sua. Foi você quem os levou. Logo começarão a morrer. E será culpa sua. Você já fez muitos inimigos.

            M – Falar a verdade costuma ter esse efeito.

            E – A verdade? Chegaremos a Verdade.

            M – Sim.

            E – Ótimo. Quanto mais cooperar,, mais posso ajuda-lo.

            M – Não preciso da sua ajuda. Deus proverá.

            E – Sabe, talvez eu faça parte do plano de Deus.

            M – Você faz.

            E – Então, me diga qual é o plano. Esclarece para mim.

            M – Quem dera fosse assim tão simples.

            E – Mas nunca é. Não é mesmo? É sempre uma ideia inalcançável. E as pessoas só precisam confiar em você e segui-lo. Sabe, meu trabalho... encontro pessoas como você o tempo todo, pessoas que acham que têm a resposta. Se o mundo as escuta e faz o que dizem, elas se comprometem tanto com uma ideia que distorcem a si mesmos. Tornam-se a encarnação desse ideal, o que faz com que se sintam especiais. Por um tempo. Mas mais cedo ou mais tarde, todas essas pessoas, no fundo, querem parar. Sentem falta de serem humanas. Mas acham que não têm escolha a não ser continuar o que começaram, se isolando, se afastando de amigos e família, e ficando cada vez mais longe do que sabem, até que não haja escolha a não ser pular do penhasco. E é isso o que torna pessoas como você, perigosas. Para todos, inclusive para você mesmo. Meu trabalho é pegar você antes desse penhasco.

            M - Apanhadores no campo centeio.

            E – O que disse?

            M – Nós somos apanhadores no campo de centeio, nós dois. Tentando impedir que as crianças caiam. Você é muito devotada ao seu trabalho.

            E – Por que diz isso?

            M – É domingo. Você é uma mulher que lutou muito para ter o que tem. Lutou para ser reconhecida, para ser a melhor, para se destacar, para ser melhor do que os homens ao redor.

            E – Como toda mulher.

            M – Mas você está pronta para ir além. Ignorar os problemas pessoais e se arrastar para cá num domingo. É isso que você idolatra.

            E – Idolatrar?

            M – Todos idolatram. Só muda a escolha do que idolatrar. Alguns se ajoelham perante o dinheiro. Alguns perante o poder, o intelecto. E você? Você é uma acólita da CIA. E sacrificou tudo por uma ideia. E, quanto mais perseguiu essa ideia, mais isolada você ficou. Mas, à noite, você deita na cama e se pergunta se valeu a pena desistir do que desistiu. Deus ouve as lágrimas que você não chora.

            E – Você não sabe nada sobre mim.

            M – Sei que está sofrendo. Não vai durar.

            E – Estou ótima, obrigada.

            M – Ficará ótima quando passar. Posso fazer passar.

            E – Seu sotaque... você é do Irã. Tem família lá, amigos? E tem razão. Sou boa no que faço. E vou descobrir tudo sobre você.

            M – Está procurando pelas coisas erradas. “Nada faltará àqueles que buscam o Senhor.”

            E – Quem te ensinou hebraico?

            M – Foi meu pai.

            E – Quer me convencer que é judeu?

            M – Segue a linhagem materna. Como você sabe. Assim como sua mãe teve você. Ela quer que você saiba que você foi um presente de Deus.

            E – Você não sabe nada sobre a minha mãe.

            M – Ela está sempre olhando você. Ela... e seu marido. Eva... tudo bem. Você pode chorar.

            Eva sai da entrevista desnorteada, como ele sabe tanto sobre ela? Os argumentos são interessantes. Como ser tão direto na consciência de fazer a vontade de Deus, assumindo tão grande responsabilidade? E falar a verdade é motivo para criar inimigos? E essa vontade de Deus, é uma realidade ou distorção dela, que atrapalha nossa evolução? Que pode nos destruir e a quem convive conosco? Que ficamos tão convictos de ser a coisa certa que não podemos rever a posição e mudar de rumo? Será?


Publicado por Sióstio de Lapa em 08/01/2020 às 00h06
 
07/01/2020 00h05
NÃO TOCAR EM MULHER (?)

            Paulo, a figura mais proeminente nos primórdios da igreja cristã, explicou à Igreja de Corinto que “é bom o homem não tocar em mulher, pois mesmo dentro do casamento, o sexo seduzia a mente e o corpo do homem, desviando-o do seu propósito maior, a comunhão com Deus”. O próprio Paulo era puro, solteiro e abstinente, e este era o estado mais sagrado. Ele escreveu, “quisera que todos os homens fossem como sou. Mas, se não podem guardar a continência, casem-se, pois é melhor se casar do que ficar abrasado (1 Cor 7, 1-40).

            A partir daí, os principais nomes da Igreja Católica eram homens celibatários que levaram mais além esta visão negativa do sexo, que o desejo corporal era intrinsecamente vergonhoso e pecaminoso. O expoente mais poderoso desta visão foi santo Agostinho (354-430), bispo da cidade de Hipona no litoral norte da África. Mas o seu passado foi muito diferente. Viveu por muitos anos com sua amante não casada e seu filho ilegítimo. Mesmo quando começou a perceber o erro de sua conduta, orava para Deus da seguinte forma, conforme escrito em suas “Confissões”: “dai-me castidade e autocontrole – mas por favor, ainda não”, pois ele ainda era cheio de luxúria que estava ansioso para satisfazer do que extinguir”. No entanto, como no caso de inúmeros críticos à sensualidade que vieram depois, foi justamente sua experiência da força da paixão humana que o levou, uma vez convertido e dedicado a uma vida de celibato, a investir de forma tão veemente contra suas tentações vis e debilitantes. Por fim, Agostinho passou a ver a luxúria como o mais perigoso de todos os impulsos humanos. Assim como muitos outros teólogos medievais, argumentou que era uma consequência direta da Queda – os sentimentos sexuais não eram de forma alguma um bem, mas sim uma punição infligida por Deus a Adão e Eva e seus descendentes, uma marca indelével de seu estado pecaminoso e corrompido. Afinal, a luxúria tinha um incomparável poder de sobrepujar a razão e a vontade humana: quando excitados, homens e mulheres não podiam suportar nem mesmo as inquietações de sua própria genitália. Pior ainda, ninguém podia jamais ter certeza de haver dominado a luxúria para sempre, por mais vigorosos que fossem seus esforços.

            Na velhice, quase 40 anos após se tornar celibatário, tendo dedicado sua vida à mortificação do desejo, Agostinho resumiu sua própria experiência numa carta a outro bispo, Ático de Constantinopla. Conter “esta concupiscência da carne”, queixou-se ele, era batalha de uma vida inteira para todos, fossem virgens, casados ou viúvos. “Pois ela se infiltra onde não é chamada, e tenta os corações das pessoas fiéis e santas com seu desejo inoportuno e mesmo perverso. Mesmo se não cedemos a estes seus incessantes impulsos com nenhum indício de consentimento, mas sim lutamos contra eles, quereríamos assim mesmo, por um desejo mais santo, que eles simplesmente não existissem em nós, caso isso fosse possível”.

            Verificamos que essa condição sexual construída e permitida por Deus ser tão atacada pelas personalidades ilustres do cristianismo. Condenam o conteúdo (instinto sexual) por não poderem disciplinar a forma (comportamento sexual). Os desejos da genitália devem ser contidos quando forem inoportunos à causa do amor incondicional, quando levar prejuízo a terceiros ou a si mesmo, quando nele estiver embutido a perversidade. Devemos respeitar o impulso sexual que nos acomete e administrar a realização do desejo se isso for conveniente para ambas as partes. O celibato e qualquer outra forma de limitação artificial, vigorosa, punitiva, dessa energia sexual não se torna coerente com o nosso processo evolutivo em direção ao Pai. É importante que possamos administrar essas energias sexuais fortalecendo as ações coerentes com o amor incondicional, assim podemos contribuir para a formação da família universal e a construção do Reino de Deus entre nós.


Publicado por Sióstio de Lapa em 07/01/2020 às 00h05
 
06/01/2020 00h05
ADULTÉRIO E PROMISCUIDADE

            Jesus pouco falou sobre o sexo, mas certamente, por seus princípios, ele não endossava o adultério ou a promiscuidade. Adultério no sentido de fugir aos compromissos conjugais assumidos por ocasião do casamento, na base do engano, traição do companheiro(a). Essa é a essência da condenação feita por Jesus, entendida dentro da racionalidade e coerência: seria o engano e a traição.  Com a promiscuidade, a essência da condenação de Jesus seria um sexo indiscriminado sem respeito ou cuidado com o(a) parceiro(a). Mas será que o sexo fora do casamento, ou ter vários(as) parceiros(as) poderia passar positivamente pelo crivo de Jesus? Acredito que sim, e defenderei minha opinião.

            Se o homem casa com a mulher, e ambos aceitam a possiblidade de existir sexo fora do casamento, tanto para um quanto para o outro, então se perde a essência da condenação sobre o engano ou traição. Da mesma forma, se a pessoa consente em ter vários(as) parceiros(as), embasados na aceitação mútua do livre arbítrio, na sensibilidade afetiva que ambos possuem para a realização do ato íntimo, e no prazer construtivo tanto para um quanto para o outro, dentro do respeito e cuidado com o(a) amante, mais uma vez a essência pela qual Jesus condenava essa atitude, se perde: a falta de respeito ou de cuidado com o(a) outro(a).

            Dessa forma, justificado o sexo fora do casamento e sexo com vários parceiros(as) sem a essência da condenação divina, veremos que dar o mesmo nome, adultério e promiscuidade não se aplica mais.

A origem da palavra adultério vem da expressão latina “ad alterum torum” que significa “na cama de outro(a)”. O termo adultério pode ser usado tanto para definir a infidelidade em um relacionamento entre dois indivíduos quanto, em sua forma verbal ou adjetiva, para se referir a algo que foi “fraudado” ou “falsificado” (adulterar/ adulterado). Se os dois indivíduos casados, os cônjuges, combinam a possibilidade de estar na cama com outro(a), o termo perde a significação de infidelidade, de fraude, falsificação, engano ou traição. Portanto, merece ser substituído.

A promiscuidade é entendida como uma mistura desordenada, confusa entre as pessoas que se relacionam sexualmente, como libertinos ou indistintos, que se destaca pela imoralidade, pela prática de maus costumes sejam eles na vida particular ou na vida pública. A promiscuidade sexual é caracterizada pela constante troca de parceiros, com pessoas diversas com esse perfil. Caso mude o perfil, os parceiros podem ser diversos, mas agora com base na afetividade, no respeito mútuo, na segurança, na discrição, sem afetar a moral pública, então, acredito, que devamos procurar outro nome para designar esse comportamento. Isso hoje está bem definido nos relacionamentos abertos onde duas pessoas estão envolvidas, mas abertas para outros relacionamentos paralelos em sintonia com o Amor Incondicional. Acredito que esta seja uma forma de diminuir a força do egoísmo dentro da família nuclear, ampliando os afetos em busca da família universal e da construção social do Reino de Deus entre nós.

Eis o que penso sobre essa questão, que certamente irá desencadear muitas críticas dos moralistas de plantão, com todo o respeito. Espero estar pronto para rebatê-las com argumentos lógicos sem fugir dos princípios cristãos.


Publicado por Sióstio de Lapa em 06/01/2020 às 00h05
 
05/01/2020 00h04
NOVOS MODOS DE PENSAR O SEXO

            O primeiro livro de Faramerz Dabhoiwala, “As Origens do Sexo”, traz os novos modos de pensar e também mudanças no modo de vida ao longo do tempo relacionados com o sexo. Também tenta mostrar como as crenças das pessoas foram afetadas pelas circunstâncias sociais. Vejamos o que diz a orelha do livro e as minhas considerações no final.

            Hoje em dia acreditamos que os adultos, mediante consentimento, têm liberdade para fazerem o que bem entenderem com seus corpos. Tornamos o sexo algo público e celebramos o sexo; travamos discussões intermináveis sobre sexo; somos obcecados pela vida sexual das celebridades. Achamos errado que em outras culturas as pessoas sofram por sua orientação sexual, que as mulheres sejam tratadas como cidadãs de segunda classe, ou que adúlteras sejam condenadas à morte. No entanto, até muito recentemente a nossa sociedade era assim.

            Para a maioria dos historiadores ocidentais, qualquer tipo de sexo fora do casamento era considerado ilegal, e a igreja, o estado e as pessoas comuns empenhavam grandes esforços para suprimir e punir essa conduta sexual. Esse era um traço essencial da civilização cristã, uma característica que foi ganhando importância cada vez maior desde o início da Idade Média.

            Neste livro inovador, Faramerz Dabhoiwala descreve em detalhes dramáticos como, entre 1600 e 1800, todo esse conjunto de ideias – segundo as quais o sexo é um assunto privado; a moralidade não pode ser imposta à força; os homens são mais libidinosos que as mulheres – foi destruído por novas ideias revolucionárias. A partir de então, as vidas privadas de ambos os sexos passaram a ser divulgadas e debatidas, em um universo público midiático em rápida expansão: jornais, panfletos, diários, romances, poemas e gravuras.

            Este livro, “As Origens do Sexo”, mostra que a criação dessa cultura moderna do sexo foi parte fundamental do Iluminismo, entrelaçada com tendências sociais, políticas e intelectuais mais amplas de toda uma era. Essa cultura ajudou a criar um novo modelo para a civilização ocidental, cujos princípios de privacidade, igualdade e liberdade individuais permanecem válidos até hoje.

            Recomento esta viagem sobre a evolução do pensamento sexual que este autor nos proporciona, principalmente no entendimento do foco religioso que parece comandar o processo. Apesar de nossa condição comportamental neste campo específico da vida está muito melhor do que era antes, na Idade Média, temos ainda que evoluir muito.

            As lições do Cristo sobre a Família Universal, Amor Incondicional e Reino de Deus, vai implicar necessariamente na revisão da Família Nuclear como está considerada hoje. As ações sexuais acontecendo dentro do Amor Incondicional perdem o freio preconceituoso e se torna elemento fundamental na construção da Família Universal e do Reino de Deus.


Publicado por Sióstio de Lapa em 05/01/2020 às 00h04



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Imagem de cabeçalho: Sergiu Bacioiu/flickr