Meu Diário
01/07/2020 23h48
ORAÇÃO JULHO 2020 

            Pai, como posso me classificar junto a Ti? Um filho obediente, falso, hipócrita, ocioso, dependente, lamurioso... de todos esses o que tenho certeza que sou, assim como todos, dependente, pois todos somos suas criaturas e dependemos da natureza por Ti criada para a sobrevivência. 

            Mesmo não querendo aceitar, chego perto de cada conceito negativo que elaborei acima. Obediente? Não posso me encaixar totalmente dentro desse conceito, pois sei a Tua vontade quanto ao que devo fazer e não cumpro com fidelidade. Prevalece os desejos desse amontoado de carne que tenho que administrar. Bem que sei, tenho companhias bastante dignas ao meu lado, como Paulo de Tarso, tão obediente e tão incapaz de fazer sempre o que os valores espirituais que desejava. Dizia que queria fazer o bem, mas terminava por fazer os desejos da carne.

            Falso? Sim, me aproximo, Pai, deste conceito. Digo a Ti que quero fazer a Tua vontade, mas na maioria das vezes nem penso em Ti, e faço a minha vontade. Quando volto a falar contigo, volto a prometer, e volto a esquecer. Isso não seria falsidade. Bem que coloco a desculpa de que sou fraco, de que sou ignorante, peço sabedoria, inteligência, coragem... mas não teria que ser conquista minha? Mas Jesus não disse para pedir, que Tu sempre nos daria? É meu atenuante.

            Hipócrita? Digo uma coisa e faço outra? Sim, também tenho aproximação a este conceito. Pois não digo que quero fazer a Tua vontade e na maioria das vezes faço a minha vontade? O meu atenuante neste caso é que não digo isso para os outros, o que eu digo procuro cumprir, dentro dos meus inter-relacionamentos. Mas contigo, Pai...

            Ocioso? Sim, mesmo que as testemunhas ao meu lado digam o contrário, que trabalho bastante, mas minha consciência me acusa. Tem ocasiões que eu deveria estar trabalhando na Tua vontade, e fico perdendo tempo com futilidades que procuro justificar racionalmente com o apoio dos circunstantes que dizem que devo descansar, que não devo exigir tanto do corpo. Como atenuante, sinto que existe um tanto de verdade nessas opiniões de terceiros.

            Lamurioso? Ninguém diria isso de mim, procuro ser resiliente frente as diversas frustrações, obstáculos que a vida traz. Mas quando estou perto de Ti, me transformo. Sempre fico a pedir aquilo que tenho deficiente e que não tenho coragem de conquistar, com esforço, trabalho dedicação. Meu atenuante? Reconhecer que de fato sou fraco.

            Eis Pai, um pouco do meu pensamento quando faço tal autocrítica. Sei que Tu és bondoso, misericordioso, sempre está a perdoar nossas faltas, ofensas, mas devo estar arrependido dos males que causei devido a essas deficiências. Que preciso me esforçar para conquistar o direito de realmente me aproximar de Ti, no processo evolutivo que todos temos que passar obrigatoriamente, como uma de Tuas leis.

            Como pedir qualquer coisa a Ti, Pai, agora, depois de tantas declarações negativas? Talvez o melhor que possa fazer agora, Pai, é pedir o Teu perdão. 


Publicado por Sióstio de Lapa em 01/07/2020 às 23h48
 
30/06/2020 17h37
PADROEIRA DA PSIQUIATRIA

            Pouca gente sabe quem seja a padroeira da Psiquiatria. No Hospital João Machado, Natal-RN, existe uma capela com a imagem da santa, Nossa Senhora da Cabeça. Ao lado diversas imagens de cabeças de gesso, como indicativo de promessas na área da saúde mental. Mas, qual a história dessa santa? Será ela a padroeira?

Nossa Senhora da Cabeça tem uma história bem antiga, desde o século VIII, quando os muçulmanos ocuparam a maior parte da Península Ibérica, Espanha e Portugal. A luta pela retomada continuou durante sete séculos, até a tomada de Granada, último reduto dos mouros, em 1492.

            Nas imediações da cidade Andújar, na região da Andaluzia, sul da Espanha, vivia um jovem pastor chamado João Rivas. Os mouros lhe cortaram o braço direito, provavelmente, por não renegar a fé cristã. Porém, seguindo os ensinamentos de Cristo e devoto de Maria Santíssima, soube perdoar-lhes e não guardou ressentimento. Levava uma vida simples e de oração. 

            Um dia, enquanto apascentava as ovelhas nas imediações do Monte Cabeça da Serra Morena, ouviu o som de uma campainha que vinha do penhasco. No início, pensou que se tratasse do sino da ovelha madrinha de outro rebanho, pois havia outros pastores por toda a encosta. Como o ruído se fazia cada vez mais insistente, resolveu aproximar-se daquele ponto. À medida que subia naquela direção, o som tornava-se mais nítido, e uma luz extraordinária envolvia todo o cume. Vencendo o medo e movido pela curiosidade, continuou. Próximo de uma gruta, ficou extasiado ao ver sobre as rochas uma belíssima Senhora e, ao lado dela, uma campainha que tocava sozinha.

            Nesse momento teve a intuição de estar de estar diante de Nossa Senhora, que invocava todos os dias. Caiu de joelhos, continuando a olhá-la com um certo espanto. Nossa Senhora, com voz meiga, o tranquilizou dizendo-lhe: “Não temas. Vai à cidade dizer a todos que é vontade de Deus que seja construído neste lugar um santuário, onde eu seja venerada e onde serão operados grandes prodígios”.

            O pastor estava disposto a fazer tudo o que a Senhora ordenara, mas estava receoso que os habitantes de Andújar zombassem dele, achando-o visionário e mentiroso. Mais uma vez, Nossa Senhora o tranquilizou, dizendo-lhe: “Vai, o testemunho de tuas palavras será o teu braço perdido, que eu te restituo”. No mesmo instante, João Rivas sentiu o braço normal, como se nunca o houvesse perdido.

            Chegando à cidade, exultante, transmitiu a mensagem da Virgem Santíssima. Mais do que ouvir suas palavras, ao ver o milagre, o povo acolheu a mensagem e iniciou a construção da igreja, que se tornou ponto de romarias e local de realização de inúmeros milagres. 

            O povo a escolheu como a padroeira, e a igreja ficou conhecida como santuário de Nossa Senhora da Cabeça. Entre os prodígios que as crônicas do santuário registram, há o de um condenado à morte, que, na proximidade de sua execução, invocou Nossa Senhora da Cabeça, prometendo depositar aos pés de sua imagem uma cabeça de cera, caso recebesse a graça do reconhecimento de sua inocência e perdão. Quando o cortejo da execução se encaminhava para cumprir a sentença, chegou um mensageiro do califa trazendo-lhe o perdão. O agraciado cumpriu a sua promessa. 

            Por outro lado, existe a história de Santa Dimpna. Era a filha de um rei irlandês pagão e de sua esposa cristã, no século VII, que fora assassinada por seu pai. Esta história foi relatada pela primeira vez no século XIII num cânone da igreja de Santo Alberto em Cambrai, encomendado pelo bispo da cidade, Guido I. O autor afirma expressamente que seus escritos foram baseados numa tradição oral muito antiga e em persistentes histórias de curas milagrosas e inexplicáveis de pessoas acometidas por doenças mentais. Seu dia é comemorado pela Igreja Católica em 30 de maio, conforme o Martirológio Romano. 

            De acordo com a narrativa, Dimpna era filha de um rei pagão da Irlanda, tornou-se cristã e foi batizada secretamente. Após a morte de sua mãe, que era de extraordinária beleza, seu pai desejava casar-se com sua própria filha, que era tão bonita quanto a mãe, mas ela fugiu com o sacerdote Gereberno e desembarcou em Antuérpia, na atual Bélgica. Daí, eles se refugiaram na aldeia de Geel, onde havia uma capela de São Martinho, ao lado da qual eles levantaram a sua morada.

Os mensageiros de seu pai no entanto, descobriram o seu paradeiro, o pai dirigiu-se para lá e renovou sua oferta. Vendo que tudo foi em vão, ele ordenou a seus servos para matar o padre, enquanto ele degolou a cabeça de sua filha. Os cadáveres foram colocados em um sarcófago e sepultado em uma caverna onde foram encontrados mais tarde.

Portanto, a igreja considera como a padroeira da psiquiatria e da Psicologia, Santa Dimpna, por seus milagres relacionados com as doenças mentais, enquanto Nossa Senhora da Cabeça recebeu este nome pela geografia do seu aparecimento e não por milagres na área de saúde mental.


Publicado por Sióstio de Lapa em 30/06/2020 às 17h37
 
29/06/2020 00h28
LIVRE ARBÍTRIO

            Em toda natureza existe o toque do Criador, a sua interferência trazendo sabedoria e beleza em todos os ângulos da existência. Apenas em um aspecto o Criador que o fez não se permite mexer desde então: o livre arbítrio. Este é um aspecto da nossa consciência, que operacionaliza a vontade para a realização do que desejamos. Existe um pequeno texto circulando na internet que fala do trabalho do pintor Michelângelo, relacionando com o livre arbítrio. Vejamos:  

Quando, em 1.512, Michelângelo finalmente concluiu o afresco do teto da capela Sistina, que é considerado uma das mais famosas obras da história da arte, os cardeais responsáveis pela curadoria das obras ficaram por horas olhando e admirando o magnífico afresco. Após a análise, reuniram-se com o mestre das artes, Michelangelo e, sem pudor algum dispararam: RE-FA-ÇA!

O descontentamento, óbvio, não era com a obra toda, mas sim com um detalhe, aparentemente desimportante. Michelangelo havia concebido o painel da criação do homem com os dedos de Deus e de Adão, se tocando. Os curadores exigiram que não houvesse o toque, mas que os dedos de ambos ficassem distantes e mais: que o dedo de Deus estivesse sempre esticado ao máximo, mas que o dedo de Adão, estivesse com as últimas falanges contraídas. Um simples detalhe, mas com um sentido surpreendente: Deus está lá, mas a decisão de buscá-lo é do homem. Se ele quiser, esticar o dedo, tocar-lhe-á, mas não querendo, poderá passar uma vida inteira sem buscá-lo. A última falange do dedo de Adão contraída representa, então, o livre arbítrio.

            Perfeita essa observação. Deus é onipresente, está em qualquer ponto do universo, por mais distante ou obscuro que seja; é onisciente, tem a consciência de tudo que ocorreu, está ocorrendo e poderá ocorrer; é onipotente, pode a qualquer momento, em qualquer lugar, criar, corrigir ou destruir qualquer coisa. Ele teve a sabedoria de criar o homem com o livre arbítrio dentro da sua consciência, com o objetivo, acreditamos, do homem ser o responsável por sua própria evolução, aprendendo com os erros e se corrigindo dentro da eternidade do tempo.

            Imagino que Deus não queira perto de si um autômato, perfeito, criado por Ele. Imagino que Deus queira algo que, tendo sido criado por Ele, se desenvolva com seus próprios atributos para chegar perto de Si. Assim, o homem enquanto espírito, criado simples e ignorante, tem que passar por todas as experiências da natureza – mineral, vegetal e animal.  Ao longo desse percurso vai adquirindo valores e experiências que o elevam na consciência, até chegar no nível de complexidade biológica, a nível cerebral, capaz de articular valores morais. 

            Este estágio que estamos vivenciando como seres humanos, com a capacidade intelectual de distinguir os valores morais, parece ser a metade do caminho para alcançarmos a condição de espíritos perfeitos, de anjos, e assim nos aproximarmos o máximo possível de Deus, como parece ser a condição de Jesus. 

            Na condição de espírito bem próximo de Deus, Jesus veio à Terra, à Seu pedido, para nos ensinar de forma mais rápida, como nos livrar da força do egoísmo, uma espécie de monstro criado dentro de nós, citado na Bíblia como o Behemoth, que quer tudo para si próprio não se importando em prejudicar ou mesmo destruir o próximo. Jesus veio e nos ensinou a lei do Amor, como o caminho mais correto, direto, para nossa vitória sobre o egoísmo e avançar na evolução espiritual em direção ao Pai.


Publicado por Sióstio de Lapa em 29/06/2020 às 00h28
 
28/06/2020 00h27
VINHA DE LUZ 9 – A LUZ SEGUE SEMPRE

            Fomos criados dentro da ignorância, coberto pelas trevas, mas com a centelha divina dentro de nós, colocada pelo Criador. Essa centelha divina, mesmo tão coberta pelas sombras da ignorância desde o ato de sua criação, tem sempre um tropismo pela luz para sua evolução, como acontece com um vegetal que tem o tropismo pela luz do sol para fazer a sua fotossíntese.

            Jesus, o espírito que esteve entre nós e que é o mais perto do Criador, teve a missão de trazer um pouco da luz divina, aquela que podíamos suportar ou compreender. As suas palavras em alguns pareciam um desvario, não poderiam crer nelas. Assim cita Lucas em seu Evangelho (24:11): E as suas palavras lhes pareciam como desvario, e não as creram.

            A perplexidade que surgiu no dia da Ressurreição ainda é a mesma nos tempos atuais, sempre que a natureza divina, invisível ao olhar humano e a sua lógica racional, se manifesta de alguma forma. Será que a eleição de Jair Bolsonaro como presidente teve algo nesse sentido? Pois foi algo que fugiu a lógica, que não obedeceu a um padrão seguido por tantos anos dentro de um contexto institucional que não havia se modificado. Uma pessoa que não prometia benesses, que não se aliou com corruptos, que enfrentou a mídia construtora ou destruidora de personalidades, que não usou o dinheiro que comprava votos, que foi esfaqueado na rua no meio de uma multidão, que não conseguiu seguir em sua campanha, e mesmo assim foi eleito?

            No tempo da ressurreição, a mulher devotada que foi em romaria ao túmulo também não foi acreditada, mas havia um Pedro que se dispôs a levantar para averiguar a verdade. Mas aqui, quem faz isso? Agora temos mais tecnologia informacional, mas estão deturpadas. A grande mídia, assim como escolas, universidades, contaminadas pelas sombras e até gerenciadas por elas em alguns casos, procuram construir outras narrativas para desacreditar o esforço de limpeza ética que se realiza. Citam palavras do “politicamente correto” em suas articulações, mas na prática estão comprometidas com as iniquidades. A luz que procura se instalar nos mais grotescos grotões da personalidade humana, é repudiada com violência, com ódio e no mais compreensível diagnóstico, com ignorância.

            Nas épocas passadas, todos os instrumentos da revelação espiritual, com raras exceções, foram categorizados como bruxos, queimados em praça pública e, ainda hoje são tidos como dementes, visionários e feiticeiros. É que a maioria dos companheiros de jornada humana vivem agarrados aos inferiores interesses de alguns momentos e as palavras da verdade imortalista, espiritualista, sempre lhes pareceram consumado desvario. 

            Quem procura seguir a luz da Verdade, da Justiça, da Ética, são acusados do que eles mesmo demonstram ser: terroristas, fascistas, assassinos, corruptos... quem não tem uma boa educação, quem se sente comprometido ou agradecido pelos frutos das iniquidades que receberam ou que pretendem adquirir, ficam aliados dessas distorções sem interesse na busca da Verdade, da Luz que sintonizaria com sua luz interna.

            Essas pessoas que agem sintonizados com as iniquidades, podem ser juízes, políticos, empresários e até pessoas que se dizem ligadas à espiritualidade, se dizem cristãos. Mas como podem ser cristãos se não procuram pela Verdade, pelo Caminho que Jesus ensinou para se encontrar a verdadeira Vida, e não essa, materializada, cheia de desejos carnais, egoístas? Entregues ao efêmero, não creem na expansão da vida, dentro do infinito e da eternidade, mas a Luz divina, que se manifestou na Ressurreição do Cristo, provando a eternidade da Vida, prossegue sempre, inspirando os missionários honestos, mas ainda incompreendidos.


Publicado por Sióstio de Lapa em 28/06/2020 às 00h27
 
27/06/2020 16h51
SER PROFESSOR

            Quem decide ser professor assume uma grande responsabilidade, pois não é só passar conteúdos, conhecimentos para os alunos. Vai muito além disso, chega a um ponto de fineza tão puro, que um ato do professor, mesmo sem conteúdo acadêmico, tem o valor de toda uma vida. Vejamos esse texto que encontrei na net e que irei reproduzir, e meus leitores certamente captarão a essência de um professor. 

Um jovem encontra um senhor de idade e lhe pergunta:

- Se lembra de mim? E o velho diz NÃO.

Então o jovem diz que ele era aluno dele.

E o professor pergunta:

- O que você está fazendo, o que você faz para viver?

O jovem responde:

- Bem, eu me tornei professor.

- Ah, que bom, como eu? (disse o velho)

- Pois sim.

Na verdade, eu me tornei professor porque você me inspirou a ser como você.

O velho, curioso, pergunta ao jovem que momento foi que o inspirou a ser professor.

E o jovem conta a seguinte história:

- Um dia, um amigo meu, também estudante, chegou com um relógio novo e bonito, e eu decidi que queria para mim e eu o roubei, tirei do bolso dele. Logo depois, meu amigo notou o roubo e imediatamente reclamou ao nosso professor, que era você. Então, você parou a aula e disse:

- O relógio do seu parceiro foi roubado durante a aula hoje. Quem o roubou, devolva-o. Eu não devolvi porque não queria fazê-lo. Então você fechou a porta e disse para todos nós levantarmos e iria vasculhar nossos bolsos até encontrarmos o relógio. Mas, nos disse para fechar os olhos, porque só procuraria se todos tivéssemos os olhos fechados. Então fizemos, e você foi de bolso em bolso, e quando chegou ao meu, encontrou o relógio e o pegou. Você continuou procurando os bolsos de todos e, quando ele terminou, ele disse:

- "Abram os olhos. Já temos o relógio."

Você não me disse nada e nunca mencionou o episódio. Nunca disse quem foi quem roubou o relógio. Naquele dia, você salvou minha dignidade para sempre. Foi o dia mais vergonhoso da minha vida. Mas também foi o dia em que minha dignidade foi salva de não me tornar ladrão, má pessoa, etc. Você nunca me disse nada e, mesmo que não tenha me repreendido ou chamado minha atenção para me dar uma lição de moral, recebi a mensagem claramente. E, graças a você, entendi que é isso que um verdadeiro educador deve fazer. Você se lembra desse episódio, professor?

E o professor responde:

- " Lembro-me da situação, do relógio roubado, que procurava em todos, mas não lembro de você, porque também fechei os olhos enquanto procurava."

Esta é a essência do ensino: Se para corrigir você precisa humilhar; você não sabe ensinar.

            Este é um tipo de sabedoria necessária para todo professor, mas que não é exclusiva dos professores. Fui alvo de tal sabedoria quando criança, e a imagem apesar de distante no tempo ainda está vívida em minha memória. Eu, criança pobre que gostava de ler gibis, mas não tinha dinheiro para comprar. Um amigo que tinha uma mercearia e na qual eu ajudava e tinha acesso a caixa registradora, percebeu que eu havia tirado dinheiro de dentro. Chamou minha atenção, particularmente, não disse nada a ninguém nem a minha avó que me criava com muito rigor. Senti no seu silêncio o mesmo respeito pela pessoa que eu iria ser, o mesmo respeito que o rapaz do texto sentiu ao ser flagrado. Hoje sou professor e tenho a dupla responsabilidade, de ensinar com respeito a figura humana e de devolver à comunidade humana aquilo que um dia recebi. 


Publicado por Sióstio de Lapa em 27/06/2020 às 16h51



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Imagem de cabeçalho: Sergiu Bacioiu/flickr