Meu Diário
19/04/2019 00h18
ANJO QUEBRA OSSOS

            Estamos todos na companhia do chamado Anjo da Guarda. Um espírito, geralmente familiar, que se compromete com a estratégia divina, de ser responsável pela segurança e desenvolvimento de alguém. Responsável em parte, pois a pessoa protegida tem o seu livre arbítrio que não pode ser subjugado pela vontade de ninguém, nem de Deus, pois assim é a vontade dEle.

            Fiquei pensando em como se procede a vontade de Deus dentro dos relacionamentos humanos, e me veio a ideia de que pode existir um anjo que, para fazer a vontade de Deus, desenvolveu a estratégia de quebrar ossos. Tive essa impressão com alguns fatos recentes que aconteceram comigo.

            Por estratégia divina, me aproximei de determinada família, muito religiosa, que tinha problemas diversos, e que Deus talvez resolvesse atender os seus pedidos e escolheu alguém que estava disposto a fazer Sua vontade e ao mesmo tempo ser testado, se suas convicções eram fortes ou não.

            A aproximação se dera por um viés espiritual, mas com componentes românticos. Logo foi gerada forte resistência a essa aproximação. Da minha parte mantive a serenidade e a compreensão de todo tipo de reação que passei a sofrer. Mas, do outro lado não havia a compreensão do meu modo de ser, de falar a verdade, de ser um condutor do bem e da solidariedade. Para sair desse impasse o que fez o anjo? Deixou cair um dos componentes da família, a pessoa mais caridosa, e quebrar o braço. Logo que fui chamado fiz todo o possível para ajudar na recuperação da função óssea. Esta forte ação começou a sensibilizar muitos, principalmente a mais interessada, que foi vítima do acidente.

            Porém, a matriarca, a mais resistente, continuava dura na resistência à minha aproximação. Agora foi a vez do anjo chegar perto dessa matriarca e faze-la cair sofrendo fratura da perna. Mais uma vez, no hospital, fui chamado para ajudar. Mesmo de forma clandestina, pois a interessada não queria o meu auxílio. Mesmo assim, a minha ação positiva dentro de um contexto negativo, trouxe uma compreensão melhor da árvore que eu era pelos frutos que estava produzindo. Foi só uma questão de tempo para que essa essência de amor que fluía de dentro de mim para todos que estivessem perto, que fez a transformação da água para o vinho, da raiva para o carinho, como o Mestre já ensinara antes, que só o amor pode causar esse tipo de transmutação.

            Mas era preciso ainda outro tipo de provação, a superação do ciúme. Mais uma vez o anjo “quebra ossos” entrou em ação e fez uma pessoa amiga quebrar o braço e pedir a minha ajuda. Como era esperado, o ciúme foi desencadeado de forma explosiva. Eu mantive a calma e a boa vontade de ajudar dentro de minhas possibilidades, indiferente a qualquer tipo de reação ou preconceito, que eu considerasse ir de encontro a ação caritativa que eu pudesse realizar, como parte do compromisso que eu tenho com o Pai, de construir o Reino de Deus com a prática do Amor Incondicional e formação da Família Universal.

            O desenrolar dessas circunstâncias continuam a se processar, vejo estremecimento nos relacionamentos que construí, mas continuo firme e deixando meu claro, que meu compromisso não é com A ou B, com alianças românticas ou de qualquer materialidade, meu compromisso é com Deus, para o qual existe o direcionamento da quase totalidade do meu afeto. Portanto, ninguém pode me desviar dessa rota, seja qual for o obstáculo que seja colocado na minha frente.


Publicado por Sióstio de Lapa em 19/04/2019 às 00h18
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18/04/2019 00h13
MARIDO OU MISSIONÁRIO

            Quando deixamos a condição de animais e passamos à condição de humanos, verificamos a nossa condição de filhos de Deus, e que devemos cumprir a vontade desse nosso Pai em comum, fazendo uma missão que Ele coloca em nossa consciência.

            Dentro de nossa sociedade, resolvemos criar a instituição casamento, como forma de disciplinar o relacionamento homem-mulher e a criação e educação dos filhos. Muitos têm como missão cumprir essa determinação familiar, ser um bom marido ou uma boa esposa, para criar os filhos capazes de reproduzir o mesmo comportamento.

            Acontece que algumas pessoas especiais, vem até nós para ensinar questões importante de relacionamentos e que necessitam ficar solteiros, como Jesus, um modelo perfeito e distante de nós no tempo e no espaço, como também Chico Xavier, um modelo mais simples e próximo de nós, no tempo e no espaço.

            Agora, tem outras pessoas que não recebem missão tão importante como esses dois personagens, mas que também sentem essa responsabilidade missionária dada pelo próprio Pai na intimidade da consciência. E essa missão pode ser incompatível com o perfil de marido definido pela sociedade e respaldado pela religião.

            Pois bem, acredito que recebi uma missão desse tipo. Não posso ser o marido de nenhuma pessoa. A minha primeira mulher já percebeu isso, após muito sofrer durante nossa convivência e a perceber como me comporto depois que ficamos separados. Ela diz que eu sou o seu melhor amigo, que faz tudo para me ver bem, mas que jamais me terá como marido. Sei que ela está certa, e digo isso a quem queira se aproximar de mim com a perspectiva de convivência dentro de uma relação conjugal. Jamais isso irá acontecer, pois o meu afeto está indo em direção o Amor Incondicional, que não atende aos preconceitos sociais, civis ou religiosos. Para que não haja sofrimento nem situações de puxar a justiça para resolver os conflitos, é importante que saibam todos da minha missão, incompatível com o papel de marido. Eu posso viver a vida toda com qualquer pessoa, homem ou mulher, com intimidades sexuais ou não, na condição de amigo, que eu tenha a liberdade preservada para que o Amor se manifeste onde ele seja evocado, com as consequências que advier desse relacionamento.

            Portanto, este é o meu manifesto filosófico e espiritual: sou um missionário incompatível com o papel de marido.


Publicado por Sióstio de Lapa em 18/04/2019 às 00h13
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17/04/2019 00h13
HUMANOS E ANIMAIS

            Moro numa cidade grande, uma capital, uma chamada selva de pedra. Fiquei a pensar nisso quando hoje ao dirigir para o trabalho, fui ultrapassado por um motociclista que olhou para mim por dentro de seu capacete com um olhar que identifiquei como perigoso. Logo veio os pensamentos de tantos casos de criminalidade, roubos, assassinatos, muitas vezes por motivos fúteis, e muitas vezes causados por pessoas em motocicleta, que parecem andar caçando pelas ruas outras pessoas mais fragilizadas para as tornarem suas vítimas.

            Então, somos caçados? Por seres humanos como nós? Acredito que exista uma diferença. Se existe um caçador e a presa, entre eles deve existir alguma diferença.

            Vamos ver... somos animais, nascemos com os instintos que todos os mamíferos possuem para sobreviver. Devido a nossa capacidade de racionalização, alcançamos um novo patamar psíquico onde o nosso pensamento não fica somente na luta pela sobrevivência. Alcançamos novo patamar psicológico com valores morais. Aprendemos a controlar nossos instintos e isso nos distancia cada vez mais da condição animal, pelo menos no aspecto psicológico.

            Acontece que tem pessoas que não passam por esse processo de educação e permanecem a vida toda motivados pelos instintos animais. Dessa forma podemos distinguir, pelo menos racionalmente, dois tipos de seres: um que seria animalizado, pela falta de educação, e outro humanizado pela absorção da educação que recebeu.

            Portanto, passa a existir na selva de pedra os seres animalizados, que não receberam educação moral, e os seres humanos devidamente moralizados. Os seres animalizados, as feras, vivem a caçar os seres humanos, os moralizados. Como devemos nos comportar? Como presas que pode ser alcançada a qualquer momento pelas feras.

            Agora surge um dado interessante. Se vamos na selva, na natureza, é necessário que estejamos armados para nos defender do ataque de qualquer fera. No entanto, na selva de pedra, os as feras são bem mais sofisticadas e perigosas, algumas civilizações como a brasileira proíbe o porte de armas aos cidadãos moralizados. Consequência: quem anda armado pelas ruas, que por índole não tem nenhum respeito pelas leis, são as feras com aparência humana, colocamos grades nos comércios, muros altos, cães de guarda, cerca elétrica, toda parafernália de defesa, mesmo assim estamos indefesos, desarmados dentro de casa. Se uma dessas feras resolve invadir nossa casa, não temos nenhuma forma de reação, a não ser que exista em algum deles uma réstia de compaixão.

            Esta é uma falha na racionalização dos seres humanos, que nos deixa fragilizados frente as feras. Interessante que as pessoas que defendem tal coisa, como presidentes, juízes, eclesiásticos, todos eles caminham com uma série de guarda-costas devidamente armados em sua defesa. Que doideira! E quem termina pagando por todo esse aparato de defesa, são justamente as coitadas vítimas das feras assassinas.


Publicado por Sióstio de Lapa em 17/04/2019 às 00h13
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16/04/2019 00h13
AMIGA CHUVA

            Muita gente fica surpresa quando eu digo que tenho uma relação bem íntima com a chuva, é como se ela sentisse os meus sentimentos e nos momentos de dores na alma, que ninguém sabe onde está doendo, só ela sabe, e me cobre com suas nuvens, e que me molha com os seus pingos, como se quisesse compensar as minhas lágrimas, me acalentar com o seu chuviscar.

            Assim amanheceu o dia. Muita nuvem no horizonte, a chuva fina a cair ininterruptamente. Fiquei tentado a sair e me abraçar com ela na beira da praia, caminhar com ela pela areia, sentir o seu frio na minha pele; não teria vergonha de chorar pois os seus pingos disfarçariam minhas lágrimas dos olhares curiosos.

            Sei que ela bloqueia o sol, a minha referência de Deus no mundo material. Mas ela é minha amiga e ei que ela também é criação de Deus. Sei também que suas gotas são formadas do “suor” que sobe ao céu da própria Terra. Talvez nelas estejam o suor daqueles que tanto trabalham para sobreviver, que correm daqui para ali, dali para cá, as vezes sem uma palavra de carinho, de solidariedade, envolvidos em críticas, maledicências, pedindo também ajuda do Pai...

            Talvez seja isso que minha amiga chuva queira dizer com o frio límpido de suas gotas: olha Francisco, as tuas lágrimas têm o mesmo sabor espiritual das minhas gotas, que sobem para mim, para perto do Pai, cheias de sofrimento. Por que motivo tu percebes as minhas nuvens tão escuras? São as dores da humanidade, cheias de preconceitos, de pecados, que precisam ser lavadas para que minhas nuvens se tornem brancas. Assim também, tuas lágrimas devem lavar tua alma para que ela se livre dos preconceitos, dos pecados que querem te dominar, e torne o teu coração mais uma vez impecável frente ao olhar do Pai.

            Fiquei a refletir sobre o que minha amiga falou. Fico a observar o movimento revolto de suas nuvens ao sabor da força dos ventos, vejo uma se chocar com as outras e surgir faíscas de intolerância que ás vezes deixa cair raios perigosos sobre a terra, que ribombam nos céus como o troar de mil tambores, trazendo sustos a quem está por perto. Nada comparado aos sentimentos que agitam os meus pensamentos, que causam descargas emocionais sobre o meu coração, mas felizmente ninguém escuta o seu rimbombar como eu, pois teriam mais pavor do que eu.

            Talvez este seja o motivo da nossa tão forte amizade. Nós sofremos as consequências do mundo material, enquanto suas nuvens recebem da terra todo o sofrimento físico que ai acontece, a minha mente recebe dos relacionamentos egoístas todas as consequências afetivas desnorteadas. Só podemos limpar tudo isso com os pingos das chuvas ou com as gotas das lágrimas.


Publicado por Sióstio de Lapa em 16/04/2019 às 00h13
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15/04/2019 00h13
TENTAÇÕES NO DESERTO

            Jesus passou 40 dias no deserto antes de começar a sua missão. Foi tentado de diversas formas, mas resistiu a todas elas, se mostrando capacitado de começar a tarefa que o Pai lhe destinou.

            A quaresma lembra para mim esses 40 dias no deserto. Sinto que o Pai também tem uma missão para mim, não tão dura e importante como aquela que o Mestre recebeu, mas enfim, como aquele beija-flor da lenda, eu tenho que levar também o meu pinguinho d’água.

            Não tenho um deserto para ir fisicamente, mas posso criar esse deserto na minha imaginação. Posso entrar nele e saber que não tenho muitos recursos que a carne deseja. Então tenho que reduzir a alimentação ao mínimo da sobrevivência e ainda mais, com a quantidade suficiente para reduzir o excesso de peso que o meu corpo acumulou, nos excessos dos prazeres da gula que ele gozou.

            Além dos ataques da gula, tenho consciência que irei ser atacado de outras formas, principalmente a emocional, associada a missão que o Pai me deu. Irei ser testado se estarei preparado para manter a promessa com o Pai e deixar de lado qualquer vantagem que o demônio queira me oferecer, como poder, segurança, sexo, conforto, etc.

            Nesse período recebi o pedido de ajuda de uma pessoa já conhecida, que tem um bom nível de espiritualidade, mas que possui o apelo do sexo e por isso é mal vista por outras pessoas. É um teste. Como eu irei me comportar? Não darei o pedido de ajuda e ficarei em paz com todas as pessoas ao meu redor, inclusive a minha companheira? Ou darei ajuda e sentirei na pele a resistência de quem não quer que eu faça isso? O que Jesus faria no meu lugar? Acredito que não titubearia, daria a ajuda. Também fiz isso, dei a ajuda e quando interrogado, disse a verdade. Foi como eu imaginei, sofri uma série de represálias, inclusive ser impedido de entrar numa casa que diziam ser minha também.

            Resisti, acatei as represálias sem nenhuma admoestação, reclamação. Fui sozinho para o meu apartamento onde deve ser o meu lugar, longe da ingratidão, da intolerância, da mesquinharia, da falta de compaixão.

            A casa que eu tanto gostava e tanto cuidava, ficou contaminada pelo ódio, ressentimento, ciúme, principalmente. A minha mente amorosa não pode ficar harmonizada num ambiente como esse.

            O deserto fica cada vez mais quente nesse embate, sofro as consequências de me manter fiel à confiança que o Pai tem em mim. Sei que Ele me observa e sonda meu coração. Sinto a Sua aprovação nas minhas atitudes, e Ele me banha com o analgésico da sua graça para atenuar as dores que invadem o meu coração.

            Mantenho firme as minhas convicções neste deserto mental que tão forte joga as suas consequências meu físico.


Publicado por Sióstio de Lapa em 15/04/2019 às 00h13
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Imagem de cabeçalho: Sergiu Bacioiu/flickr