Meu Diário
08/07/2019 00h07
FALAR (14)

            Judas Tadeu, também chamado de Judas Lebeu, nasceu na Galileia, era de porte físico agigantado e possuía também um grande coração. Aprendeu com Jesus que a nossa pátria é o universo, que a Galileia era igual ao mundo, sem benefícios especiais, que Deus era a luz do mundo, Pai de todas as criaturas e cuja lei se espalhava por toda a criação. Dessa forma ele atingiu a condição de cidadão universal, sustentado pelo amor, e adorava as reuniões que aconteciam em Betsaida.

            Tadeu prestava muita atenção na fala de Jesus, na perfeição do tom, na beleza dos sons, no prazer de ouvir. Tiago dizia que Jesus era um fenômeno em tudo, não só na fala. Via os gestos dele, seu andar, tem uma cadência que fascina. Seu olhar diz tudo que ele pensa sem, contudo, manifestar suas ideias pela fala. O seu modo de ser, os seus cabelos, parecem dizer alguma coisa. Enfim, toda sua presença é uma mensagem. Tadeu dizia que todos os animais entendiam o Mestre, e ele, igualmente falava e compreendia suas línguas. João ficava muito animado, dizia que era muita responsabilidade para simples homens do povo. Agradecia a Deus pela dádiva.

            As reuniões em Betsaida era uma verdadeira escola de aperfeiçoamento. Cada um manifestava um ponto de vista diferente sobre o assunto. Uma força poderosa se mesclava aos discípulos, para aperfeiçoar, para ajudar melhor. O Mestre advertia para que a vaidade não se intrometesse nas áreas de luz onde o Amor seria o rei, e a Caridade, a princesa.

Qualquer encontro dos discípulos era motivo de muitos assuntos referentes ao Mestre, e todos giravam em torno de ideias elevadas, que a compreensão e a ciência não dominavam. A fé se fazia presente para sustentar a esperança.

Tadeu estava com a cabeça cheia de perguntas, principalmente em torno de como falar e usar o verbo, na sua mais elevada expressão. Portanto, com tanta dúvida, Tadeu fez a pergunta: Senhor, já ouvi tua opinião acerca da palavra e da audição, que muito me comoveu. Se não fosse isso, talvez não ousasse perguntar novamente quase sobre o mesmo assunto. Mas como tua sabedoria é uma fonte inesgotável, se não for ousadia, queria e ficaria muito agradecido com uma dissertação tua em que o verbo fosse novamente o tema.

Tadeu, bem sabes que as escrituras nos contam, através de agentes de Deus, como o nosso Pai Celestial fez o mundo: falando! Fez a luz falando, e assim os animais e os homens. E ainda os céus e os anjos. A palavra tem um poder incalculável na formação das coisas, partindo do Todo-Poderoso até nós. É justo que purifiquemos o verbo, para que ele possa iluminar a alma.

O verbo é filho de Deus sob a administração do tempo. É no percorrer de milênios e milênios, de um esforço sem fuga, que a caridade vai se amoldando à palavra, no calor de todas as qualidades do amor. É pela palavra que ficamos sabendo da existência da grande luz que mora em nós e que se expressa pela sabedoria do amor. Chegareis em um ponto, todos vós que estais comigo, de usar os dons que começam a crescer em vossas almas. Se contrariardes a natureza, respondereis pelos impactos de forças que não conheceis ainda. 

Os meios de fazer-vos crescer mais estão sendo dados dia-a-dia, na mesma marcha de que o tempo cuida. Exercitar o modo pelo quais deveis falar aos outros é de caráter nobre. Porém, resta-nos saber se esses meios não irão trazer-vos um certo rigor que o fanatismo aproveita para desmerecer os frutos do trabalho. Os ensinamentos dos céus, muitas vezes, chegam ao mundo dos homens por parábolas, para que não venham a servir de fogo na boca de incautos.

O segredo até hoje constitui a segurança das coisas. Já imaginastes se os homens pudessem dominar a ciência, de forma a que esta lhes oferecesse todos os tipos de frutos, com abundância que as árvores desconhecem? O que seria do equilíbrio da alma, desprezando o trabalho cada vez mais? Já pensastes se o homem tivesse em suas mãos o poder de aparecer e desaparecer onde e a hora que lhes aprouvesse? Essa chave divina é guardada somente para abrir as portas na hora em que a bondade de Deus disser: pode.

Meus filhos! A palavra abre muitas glórias em nossa ascensão, e destampa muita luz, para iluminar nossos caminhos, mas quando é educada. A educação é fruto de inenarráveis séculos de disciplina. Se começardes a conhecer alguns segredos do verbo, aplicando-os na satisfação orientada pelo egoísmo, se deixardes que a palavra seja escrava dos instintos inferiores, se não houver a vigilância evitando que a fala vos sirva como agente entorpecedor dos semelhantes, para que estes cedam a vossa usura e vos deem o que não mereceis, no comércio, havereis de responder por esses desastres, morais, materiais e espirituais. Se ainda vos sentir fracos, é justo que não quereis ficar fortes no verbo, pois este pode tomar caminhos inconfessáveis.

Assim como não podeis pegar peixe nas águas com um só quadrado de barbante, não podeis, igualmente, ter o equilíbrio de vossas emoções somente com a educação da fala. A rede que lançais ao mar tem centenas de quadrados firmes e unidos uns aos outros.

O mesmo deveis fazer com os dons espirituais, todos unidos, uns amparando os outros, dando condições ao espírito de trabalhar na verdadeira paz e na consciência do exercício das leis divinas.

Tadeu! Se pudésseis ver o que sai da boca de um homem quando está irado, quando a maledicência é a cogitação e quando a vingança se transforma em ódio, terias muito mais cuidado no falar e no pensar.

A panela que fabrica as tuas ideias, é a tua própria cabeça que faz canalizar para os lábios o seu verbo. Deve ser limpada da mesma forma como limpas a vasilha depois da comida.

Haveis de limpar a cabeça depois de pensamentos maus e impuros. Assim como não nos sentimos bem com comida e roupa malcheirosas, não podemos sentir alegria com a cabeça imunda de restos mentais que nos incomodam muito mais. Não queiras compreender essa ciência de falar bem de um momento para outro.

O Mestre de todos nós, é Deus, que é o dono do tempo.


Publicado por Sióstio de Lapa em 08/07/2019 às 00h07
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07/07/2019 00h07
DORES E COMPAIXÃO

Ah! Tu que olhas os meus versos tristes

E por eles sente empatia

Por uma alma que nunca viste

E que não sabia que existia

           

Alma que chora por ter amor

E com todos quer o compartilhar

E com afetos levar o calor

Da luz de Deus para o caminhar

 

Pois cada alma, que nunca esqueço

Tudo deseja, exclusividade

E do amor fica só saudade

 

Por isso, amigo, eu te agradeço

Do fundo do coração

Da minha vida, ter compaixão.


Publicado por Sióstio de Lapa em 07/07/2019 às 00h07
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06/07/2019 00h04
O FANTASMA DA ÓPERA – UM MITO (07)

            Continuando a transcrição da palestra sobre a obra de Gaston Leroux, O Fantasma da Ópera, feita pela professora Lucia Helena, voluntária da Nova Acrópole, e que está disponível no Youtube, muito útil para nossas reflexões.

            Existe uma música, e esse espetáculo é cheio de músicas muito belas. Tem certas pessoas, ah, me desculpem se alguém vai ficar ofendido por isso, mas se você for cantar uma música para sua namorada ou seu namorado, que sei que alguns fazem, não cantem “All I ask of you”. É uma música linda, mas é um carcereiro cantando para sua prisioneira, ou vice-versa. Porque ele está dizendo “fuja de tudo o que lhe assusta e deixa eu ficar grudado em você 24 horas por dia. Venha para um lugar luminoso e seguro, é só o que peço para você. ” Só o que peço para você? Ele está pedindo tudo! Está pedindo para que ela renuncie à sua sombra inconsciente, está pedindo que ela renuncie à beleza que vem dessa sombra. Está pedindo que ela renuncie à sua espiritualidade, ele pede tudo! Mas é tão delicado, tão bonitinho, que parece que não está pedindo nada demais. Então vejam a letra dessa música...

RAOUL CANTA PARA CHRISTINE (All I ask of you)

                        Não vamos mais falar da escuridão, esqueça esses medos                       

Estou aqui, nada pode te ferir, minhas palavras irão te aquecer e acalmar

Deixe-me ser sua liberdade. Deixe a luz do dia secar suas lágrimas

Estou aqui, com você, ao seu lado, para te guardar e guiar

Deixe-me ser seu abrigo, deixe-me ser sua luz!

Você está segura, ninguém te achará, seus medos estão longe...

Então, diga que compartilhará comigo um amor, uma vida...

Deixe-me tirar você dessa sua solidão!

Diga que precisa de mim com você aqui, ao meu lado

Qualquer lugar que você for, deixe-me ir também.

Christine, isso é tudo o que te peço.

Compartilhe comigo cada dia, cada noite, cada manhã.

Qualquer lugar que você for, deixe-me ir também

Me ame, isso é tudo o que te peço.

            Não vamos mais falar da escuridão, ou seja, do espiritual, não é? Esquece esses medos, venha ficar segura, estou aqui, nada pode te ferir, minhas palavras vão te aquecer e acalmar. Mas ela tinha ânsia de palavras que despertassem e não adormecessem. Era o momento dela, mas o que ele oferece são palavras para acalmar.

            Deixe-me ser sua liberdade. Na verdade, ele se troca pela liberdade dela. Deixe a luz do dia secar suas lágrimas. Estou aqui, com você, ao seu lado para te guardar e guiar.

            Chega um determinado momento, vocês conhecem um ditado popular que minha avó adorava falar, que dizia que “a necessidade faz o sapo pular”, e o sapo precisa aprender a pular. E você fica com peninha do sapo, vai lá e tira a necessidade e ele não pula, nunca! Se tirar o medo da Christine, se tirar dela esse amor ao mistério, ela não pula, ela não vai para a frente, ela retrocede e fica estagnada. Isso não é liberdade, isso é prisão, porque é exatamente o que ele está oferecendo.

            Deixe-me ser seu abrigo, deixe-me ser sua luz.. uma luz falsa, pois a verdadeira ele não a deixa buscar.

            Você está segura, ninguém te achará, seus medos estão longe... então diga que compartilhará comigo um amor, uma vida. Deixe-me tirar você dessa sua solidão. Porque ela tinha um momento de vida interior, um encontro interno. Solidão não é necessariamente má. A solidão é estar desacompanhado de si mesmo. Essa é a verdadeira solidão. O que Raoul oferece para Christine tinha maior solidão.

            Diga que precisa de mim com você aqui com você, ao meu lado. Qualquer lugar que você for, deixe-me ir também. Christine, isso é tudo que te peço. Compartilhe comigo cada dia, cada noite, cada manhã. Você sabe que te amo. Qualquer lugar que for, deixe-me ir também. Me ame, isso é tudo que peço.

            Ele sabe perfeitamente que como representante que é das paixões da vida, onde ele estiver, o Fantasma não estará. Então, fique comigo o tempo todo, que o Fantasma não estará lá. Então, eu evito que você caminhe para a verdadeira luz te oferendo uma luz falsa. É uma paixão com furto, comodismo, aceitação social, uma saída convencional que vai te deixar numa zona confortável e sem risco, e não terá mais medo. Esse é Raoul.

            Este é o apelo que a cultura faz a minha amada, para que ela saia de perto de mim, dos riscos que eu levo por ensinar uma profundidade do coração, um mistério para quem não quer penetrar nessa intimidade, nessa viagem para o interior, mas com proposta de relacionamentos universais, de fraternidade, harmonia, solidariedade, compartilhamento de sentimentos. Em qualquer lugar que ela for, lá estará a cultura, eu, o fantasma, não poderei estar presente. Se ela me ouve, os valores culturais se perdem, a segurança se perde, o status que se conseguiu se perde. Não vale a pena ouvir a voz desse fantasma, é melhor ficar dentro da segurança que a cultura oferece, mesmo que jamais eu tenha oportunidade de ouvir essa voz que me ensina a pureza dos sentimentos.


Publicado por Sióstio de Lapa em 06/07/2019 às 00h04
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05/07/2019 00h04
O FANTASMA DA ÓPERA – UM MITO (06)

            Continuando a transcrição da palestra sobre a obra de Gaston Leroux, O Fantasma da Ópera, feita pela professora Lucia Helena, voluntária da Nova Acrópole, e que está disponível no Youtube, muito útil para nossas reflexões.

            Temos o visconde Raoul de Chagny. Esse visconde, é uma coisa curiosa, as referências são muito precisas, porque ele tem relação com o passado de Christine, ele a conheceu quando o pai ainda era vivo, os dois crianças, então ele a puxa para o passado. Ela está precisando caminhar para o futuro e em direção à sua essência, e ele o tempo todo chama memórias, chama ela para o passado, ou seja, desvia da sua meta de autoconhecimento e ao mesmo temo ele é o patrocinador do espetáculo que se passa no palco. Então, digamos que Christine não estaria disposta a permanecer numa vida banal, só pela vaidade, que tem vários atores muito vaidosos, só pela competência, porque tem muitos funcionários e atores competentes, mas tem um ponto que ela não tinha anunciado ainda, que era a paixão por uma forma de vida que lhe parece segura. Eric é mistério e ela tem medo dos mistérios. Então, nenhum personagem que está no palco seria suficiente para manter o palco, seria suficiente para prender Christine, porque ela é a grande protagonista do espetáculo. Raoul, que é o patrocinador do espetáculo, é o único que tem poder para prendê-la. E por isso ele é o patrocinador. Se não fosse por ele, aquele palco desmoronaria, porque Christine que é a personalidade que estava vivendo aquele drama, iria embora. Ele mantém ela motivada por algo, uma paixão por um território seguro do seu passado, aos pés do seu pai, uma situação conhecida. Ele mantém Christine assustada em relação ao mistério, hesitante em relação ao avanço, e ele consegue sucesso. Ele consegue prendê-la ao mundo banal, ele patrocina o palco e consegue manter o palco. Cumpre perfeitamente o seu papel.

            Para mim, dentro dos relacionamentos onde tenho o papel de Eric, do Fantasma da Ópera, do ser deformado, o visconde Raoul é representado pela própria cultura. A mulher que eu amo e que procuro passar para ela toda a profundidade do meu amor, uma forma de relacionamento de amor inclusivo capaz de transformar uma família de características nucleares para uma família de características universais, capaz de construir o Reino de Deus, como Jesus tão bem nos ensinou.

            Mas, essa mulher, mesmo que sinta a profundidade do que eu sinto, fica assustada com o mistério que isso representa, com o desvio dos padrões culturais que está ali ao seu lado, cobrando uma coerência do seu comportamento com o que foi ensinado pelos pais, pela escola, pela igreja.

            Então, essa mulher, termina capitulando e fica ao lado da segurança que o status quo parece garantir para ela e abandona o mistério que poderia leva-la a profundidade do seu ser.


Publicado por Sióstio de Lapa em 05/07/2019 às 00h04
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04/07/2019 00h03
O FANTASMA DA ÓPERA – UM MITO (05)

            Continuando a transcrição da palestra sobre a obra de Gaston Leroux, O Fantasma da Ópera, feita pela professora Lucia Helena, voluntária da Nova Acrópole, e que está disponível no Youtube, muito útil para nossas reflexões.

            O próximo personagem, Eric, o nome dele significa glorioso, grandioso. Ele é aquele que foi escondido num determinado momento, nos subterrâneos do teatro. Mas você vai contestar, ele era deformado, que tem a ver isso com nosso espírito?

            Existe uma obra indiana, chamada Bhagavad Gita, que ela coloca dois grupos de personagens associadas à juventude e aos vícios humanos. As virtudes são príncipes pândavas e os vícios príncipes kurus. A história é complexa e não quero que vocês entendam isso agora, mas agora eu quero citar para vocês uma passagem desse livro, dessa tradição, onde eles dizem o seguinte: se surgisse um pândava (ser virtuoso) adulto e armado diante de nós neste momento, nós teríamos pavor e sairíamos correndo. O que será que o Bhagavad Gita queria dizer com isso? Imaginem vocês ... é um monstro! Está querendo roubar tudo aquilo que me diverte, tudo aquilo que dá sentido à minha vida. Então me parece desfigurado, parece um monstro. Mas isso não é a sua verdadeira face. A sua verdadeira face é aquilo que ele traz à tona em mim, que é firmeza, harmonia, brilho. Ele ensinou Christine a sentir a música e com isso ela é uma cantora tão brilhante. Mas ela, e todos na sociedade, no confronto, acham que ele é um monstro. Por que? Ele é um rosto que não estamos preparados para ver. Para uma personalidade cheia de vícios e debilidades, ele é uma monstruosidade que é o oposto da morte. Significa a morte de tudo aquilo que ela tem como prazeroso e como estímulo para a sua vida diária. Então, esse é Eric, aquele que vive nas sombras, o de rosto deformado.

            Chego as vezes a me considerar um ser deformado, como esse Fantasma da Ópera. Fiz certa vez um texto nesse sentido, me comparando com o Corcunda de Notre Dame. E por que me sinto assim? Onde está minha deformidade?

            Minha deformidade consiste em amar de forma diferente ao que a cultura defende. Um amor incondicional, um amor sem limites, sem exclusividade. Isso parece um aleijão para quem está acostumado a amar condicionalmente.

            Nessa condição, os meus relacionamentos afetivos são conduzidos. Todas sabem da minha deformidade, porque faço questão de não esconder, de conviver com uma pessoa a iludindo. Não, todas sabem que sou assim deformado psiquicamente, mesmo assim muitas aceitam a convivência, pois afinal, sou tão delicado!

            Esta minha deformidade que acredito ser uma das mais altas virtudes, a prática do amor incondicional, tento fazer minhas diversas companheiras acreditar e também praticar. Mas a feiura do que parece ser monstruoso, frente aos valores culturais, apenas assusta, e um dia, sem mais conseguir suportar, me expulsam de suas vidas.


Publicado por Sióstio de Lapa em 04/07/2019 às 00h03
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Imagem de cabeçalho: Sergiu Bacioiu/flickr